WALKING DOWN THE STREETS WITH MÁRIO CESARINY – por Laurens Vancrevel
Their true names are inscrutable songs
Burning bright behind the bolted passages
Beyond the raging theatre of some inner court.
The windows hide their shining thoughts,
Their secret loves, the fossils of nostalgia –
Wet dreams of formal flowers on the tiles.
He tells me all the names in which new life
Will grow: seemingly becoming not much better
Than what it used to be – a bunch of petrified hope.
Now, sailing a stony vessel in the open seas,
Charged with deep layers of desire,
We touch new odors of violent days.
The sentry erect, smoldering in the light.
Only the doomed poets know the true names
Of mysteries being born in this world of lies.
LAURENS VANCREVEL
[Brumes Blondes, 2014, p. 172]
PASSEANDO PELAS RUAS COM MÁRIO CESARINY
Seus nomes reais são inescrutáveis canções
Fogo flamejante atrás de passagens fechadas
Para lá do teatro furioso de um claustro.
As janelas escondem seus pensamentos radiosos,
Seus amores secretos, os fosseis da saudade –
Sonhos molhados de flores formais nos azulejos.
Ele diz-me todos os nomes em que uma vida nova
Nascerá: porventura não ficará muito melhor
Do que já fora – um molho de esperança petrificada.
Agora, numa caravela de pedra no alto mar,
Cobertos com profundas camadas de desejo,
Chegamos a novos odores de dias violentos.
O vigilante erecto, em brasa sob a luz.
Só os amaldiçoados sabem os verdadeiros nomes
Dos mistérios que nascem neste mundo de mentiras.
[tradução CARLA FERREIRA DE CASTRO
do poema homenagem de Laurens Vancrevel]
O RENQUE TÃO DECISIVO DO MAR E DO CÉU MARINHO
De ar nem meus hinos são cortáveis sons
Bornéu de prata, bípedes e bólides de passa giz
Bisontes da granja ao tear a examinar o corte.
Dos idos hei-de dar ao Xá da China flocos,
Harpa e cravo eslavos, notas de paleontologia –
Veste nos triques ó farol a flutuar nas tílias
Etelvina só de arames no eixo e na ave
O Luís do Grão: símio de cama e nota alfa/beta
Douto e indutivo Tobias – prancha de pérola doida.
Não sei de acetona vazada em opacidades
De chás que devolvi a leões, avós do desaire,
Bitates de nulas ordens ó violetas acesas.
O centro directo, moldando ainda o leite.
Holística do medo e do pó em que não me tornei
Ó misérias do bingo morno nos índices dos mais.
[tradução de ACF
do mesmo poema por meio da cabala fonética]

