EDITORIAL – PARA ALÉM DA GRÉCIA

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Ontem as perspectivas de um acordo entre o governo grego e os seus congéneres da zona euro pareciam mais próximas. Tudo indica que vai haver significativos recuos do lado do governo de Tsipras, mas este assim vai ao encontro do desejo de grande parte dos seus compatriotas, parece que mesmo da maioria, segundo as sondagens que vão sendo efectuadas, de permanecer no euro e na União Europeia. Lamentavelmente, estas cedências vão inevitavelmente resultar em mais sofrimentos para os gregos, apesar dos inegáveis esforços dos governantes gregos. E os problemas vão continuar, pois obviamente que as lideranças da finança internacional e da burocracia europeia não se deterão enquanto não conseguirem repor em Atenas um governo que os tranquilize. E que continue a empobrecer os gregos ao ritmo desejado, para se garantir assim que não voltem a eleger um governo de esquerda, e que continuem  a fornecer mão de obra barata. Claro que no Eurogrupo, no Conselho Europeu ou noutro órgão realmente decisor ninguém vai discutir os verdadeiros problemas europeus, o maior dos quais se chama Alemanha. Propomos a este respeito aos leitores que cliquem no segundo link abaixo, e que leiam Está  a União Europeia já à beira do desastre inevitável?, de Mark Colvin, com respostas de George Friedman. E assim se continuará o processo do demolição dos países periféricos, e dos sectores mais vulneráveis da sociedade em geral, que, eufemisticamente se chama de austeridade.

Não se sabe ainda o que vai suceder nas conversações em curso, mas é visível a satisfação ostentada pelos líderes “austeritários”, e pelos seus sequazes. Ontem, 22 de Junho, decorreu em Baiona, na Galiza, província de Pontevedra, a denominada 28.ª cimeira luso-espanhola, em que terão sido tratados assuntos de interesse comum, mas dominaram aquilo que designaremos por temas europeus (ver primeiro link abaixo). Pela reportagem da RTP2, que colocou um dístico a acompanhar durante parte do tempo, dizendo Ibéria espera acordo, percebe-se claramente que o tema forte do encontro foi a Grécia. Não vamos comentar a expressão escolhida. Para já limitamo-nos a registar a fraternidade dos dois chefes de governo perante o inimigo comum, e o seu contentamento pelo recuo anunciado, que esperam que protele o expor a claro o desastre que têm sido as suas governações para aqueles que deviam servir.

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/detalhe/uma_cimeira_luso_espanhola_marcadamente_europeia.html

http://aviagemdosargonautas.net/2015/06/21/esta-a-uniao-europeia-ja-a-beira-do-desastre-inevitavel-por-mark-colvin/

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