NO MUSEU DO ORIENTE, DE 26 DE JUNHO A 30 DE AGOSTO, EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS DE CLÁUDIA VAREJÃO SOBRE AS MULHERES “AMA-SA” DO JAPÃO

26 Junho a 30 Agosto

INAUGURAÇÃO | 25 Junho | 18.30

Ao longo de vários séculos, o mergulho no Japão para colher algas, ouriços, abalones, ostras e as suas pérolas, foi assegurado pelas mulheres, as Ama-San. Sem o auxílio de botija de ar ou outra ferramenta que potencie a capacidade de permanecer debaixo de água, todo o corpo é convocado a atingir o seu limite. Os mergulhos podem atingir os vinte metros de profundidade e conseguem permanecer aproximadamente dois minutos debaixo de água. Ama, em japonês, significa ‘pessoa do mar’.

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Exactamente quando e onde este modo de pesca começou não é possível precisar mas podem-se encontrar descrições dos seus corpos a mergulharem no mar na colecção de poemas Manyoshu (séc. XVIII) ou no Livro de Cabeceira de Sei Shonagon (séc. XI). Durante a era Tokudawa, a venda de abalone e respectiva exportação para a China, transformou as Ama-San num forte potencial de enriquecimento económico.
Foram protegidas pelas forças imperiais a fim de assegurarem entregas regulares dos tão cobiçados tesouros do mar. Depressa se tornaram pescadoras migratórias, percorrendo diversos pontos estratégicos ao longo da costa em barcos, com marido e filhos, conseguindo assegurar o sustento de todos.

As Ama-San vivem desde então uma vida independente dentro da sua comunidade e tecem entre si laços de irmandade. Conquistaram o estatuto de colectoras e cuidadoras, questionando não só o papel da mulher na sociedade oriental como a própria natureza feminina. A média de idades das mulheres que ainda hoje mergulham situa-se entre os 50 e os 85 anos.

– Fotografias de Cláudia Varejão resulta de duas viagens ao Japão com o objectivo de preparar e realizar um filme com um grupo de Ama-San da Península de Ise-Shima. Os rostos e os locais são registados como notas pessoais da autora. O olhar revela um estudo cinematográfico apesar do seu valor etnográfico. Nesta sequência de imagens estão retratadas Ama-San das vilas piscatórias de Wagu, Ijika, Oosatsu e Toushijima.

Cláudia Varejão nasceu no Porto e estudou cinema no Programa de Criatividade e Criação Artística da Fundação Calouste Gulbenkian em parceria com a German Film und Fernsehakademie Berlin, na Academia Internacional de Cinema de São Paulo Brasil e fotografia na AR.CO, em Lisboa. É autora da curta documental Falta-me/Wantinge recentemente tem-se dedicado à ficção, com a trilogia de curtas metragens Fim-de-semana/WeekendUm dia Frio/Cold Day e Luz da Manhã/Morning Light. Encontra-se em fase de pós-produção da sua primeira longa-metragem. Para além do seu percurso como realizadora e fotógrafa, trabalha regularmente como montadora e directora de fotografia para cinema.

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