Continuamos sem perceber a razão pela qual os alunos do 4º ano têm que fazer exames, contrariando toda a lógica de ciclo, contrariando o processo contínuo de ensino /aprendizagem, contrariando a avaliação contínua.
Estávamo-nos a afastar da cinzenta escola da ditadura, mas, novamente, a sociedade impõe a selecção dos alunos a partir do 4º ano.
Professores angustiados, com imenso trabalho burocrático, com vigilância nos exames e com os alunos ainda mais nervosos. E se eu não conseguir, já me dói a barriga, o que vão dizer os meus pais e os meus professores?
Pais que transportam a sua ansiedade, feita insegurança, para os seus filhos. Assistentes operacionais preocupados com as crianças que se sentem perdidas numa escola que não conhecem, com professores que não conhecem.
E o mais caricato é que os exames são realizados ainda em tempo lectivo.
Enquanto uns alunos estão a ser incluídos ou excluídos os outros, os que não têm exame, estão sem aulas porque não têm salas nem professores.
Nem é bom falar na primeira página do livro deste ano lectivo que termina com avaliação dos exames mais flexível, Não vá haver resultados abaixo da média.
É este o retrato das escolas durante o fechar do ano lectivo.
Muitos de nós, também, fizemos exames noutras escolas, com professores que não conhecíamos. Sim, é verdade, só que vivíamos em ditadura e era preciso criar elites que fossem os futuros dirigentes da nação, de uma sociedade retrógrada, analfabeta, inculta e submissa.
Hoje é assim, porque é preciso criar elites que sejam bons gestores, que saibam tudo sobre Mercados, Finanças….que saibam como subir impostos, como cortar nas pensões, como piorar o Serviço Nacional de Saúde e a Educação…
O Sistema Educativo em vez de educar para o conhecimento, para a sabedoria, para a sensibilidade, para a liberdade de expressão, e para a Democracia, está a educar para o Homem-Mercado.
É preciso gente corajosa para bater o pé, ao que se chama, austeridade.
É preciso gente corajosa para dizer que a austeridade não é a única saída para a crise.
Os gregos estão, contra ventos e marés, numa batalha dolorosa para devolver ao povo o sentido da vida.
Por vezes, dizer Não é uma questão de dignidade.
Na sociedade que querem criar não há lugar para o Não, só há lugar para a submissão.