FLIP – FESTA INTERNACIONAL DE PARATY, DE 1 A 5 DE JULHO

A programação principal da Flip 2015 conta com 39 autores, 16 deles internacionais. A edição homenageia Mário de Andrade, agitador cultural e literário que buscou interpretar o Brasil de diferentes ângulos. Entre os diversos recortes da programação estão a poesia, sexo e erotismo na literatura, ciência, representações literárias da família e da vida afectiva, romance policial, questões de política internacional, literatura de viagem, música, arquitectura, políticas culturais e os rumos da sociedade brasileira. O curador da Flip 2015 é o editor Paulo Werneck, responsável também pela curadoria de 2014.

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A obra e a vida de Mário de Andrade ajudaram a moldar a cultura brasileira – entre os frutos indirectos de sua actuação estão, por exemplo, a preservação da cidade de Paraty e a própria Flip, que guarda muito de seu espírito irrequieto, festeiro e articulador. Nada mais justo que, em sua 13ª edição, a Festa Literária Internacional de Paraty homenageie o autor paulista, morto prematuramente em Fevereiro de 1945, cuja vida e obra ainda iluminam o Brasil do século 21

Poeta, romancista, crítico musical, gestor público, folclorista, agitador cultural – Mário foi, como diz seu celebrado poema, “trezentos, trezentos e cinquenta”. Se muito de seu legado hoje está assimilado – antropofagicamente, para usar a expressão de seu companheiro (e mais tarde desafecto) de geração Oswald de Andrade –, Mário trouxe questões centrais para novos debates sobre o país, a vida cultural e a literatura. Cultura popular e indústria cultural, património material e imaterial, fala brasileira e língua escrita, cultura indígena, literatura, identidade e género, a sua vida e obra parecem ter antecipado discussões actuais, que a Flip pretende pautar e actualizar em sua edição 2015.

FLIPINHA
Bem mais do que “a Flip para crianças”, que acontece durante os cinco dias da festa literária, a Flipinha é uma ação com significado social e educativo, que responde à missão da Casa Azul de atuar como polo difusor de cultura e conhecimento.

Nasceu junto com a Flip para ser um movimento de formação de leitores em Paraty. Batizada Flipinha em 2004, mantém vivo desde então o desafio de melhorar a qualidade de vida das crianças da região. Para isso, segue uma agenda anual intensa, movida pela paixão em ver florescer leitores atentos, curiosos e inquietos.

A festa é o coroamento dessas ações, que envolvem os cerca de 13 mil alunos das escolas de Paraty e têm como sede a Biblioteca Casa Azul. A relação com professores da rede pública da cidade, os temas trabalhados em sala de aula e um levantamento dos autores mais lidos de seu acervo de 12 mil títulos norteiam a programação.

Daí a importância dessa festa a céu aberto, da qual participam não só as crianças visitantes, mas especialmente as que aqui residem. Nessa ocasião, elas sentem-se preparadas para encontrar autores. Ficam orgulhosas de tomar parte das apresentações de suas escolas. Vivem a alegria das brincadeiras, oficinas e rodas de ciranda na Praça da Matriz.

Voltada às crianças, a Flipinha envolve também os adultos. Sinta-se convidado para essa festa que combina tão bem crianças e livros.

De Portugal, conta-se com a presença das escritoras Matilde Campilho e Alexandra Lucas Coelho.

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