A HISTÓRIA PODE DAR ALGUMA AJUDA – 4 – por Carlos Leça da Veiga

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Imagem2Há 74 anos, no dia 29 de Setembro de 1938, os primeiros-ministros do Reino Unido e da República Francesa aceitaram deslocar-se a Munique, no território da Alemanha nazi para, em conjunto com os ditadores Hitler e Mussolini, estabelecerem um Acordo – o tristemente celebre Acordo de Munique.

Há 74 anos, no dia 29 de Setembro de 1938, os primeiros-ministros do Reino Unido e da República Francesa aceitaram deslocar-se a Munique, no território da Alemanha nazi para, em conjunto com os ditadores Hitler e Mussolini, estabelecerem um Acordo – o tristemente celebre Acordo de Munique.

Nesse tratado político, sob o pretexto falacioso – um oportunismo reles – de garantir a paz na Europa, os chefes governamentais que se apresentavam como representantes impolutos da Democracia aceitaram sacrificar às mãos de Hitler a existência da Checoslováquia ao consentirem a amputação da sua região dos Sudetas e, assim, foi dado o primeiro passo para que, pouco depois, uma vez privado da Eslováquia, o que restava do estado Checo acabasse convertido em dois protectorados do III reich.

Naquela data de 1938, em Munique, foi dado o passo mais demonstrativo da vileza política dos dois governos ditos democráticos. Dessa maneira, foi indicado ao nazismo que estava de mãos livres para aventurar-se no seu expansionismo e, também, como é legitimo pensar-se, que podia prosseguir incólume na sua protecção, sem freio, ao grande capital privado. Um péssimo exemplo cuja recordação não pode esquecer-se. Nada de semelhante deverá repetir-se.

Em Munique, os futuros aliados, aceitaram escolher a desonra e tiveram a guerra. A Neville Chamberlain, o primeiro-ministro inglês, no dizer bem avisado de W. Churchil – mau grado vaiado na Câmara dos Comuns – foi oferecida uma opção entre a guerra e a desonra e ele escolheu a desonra. Quantas vítimas foram precisas, durante quantos anos, para ressarcir um erro político tão clamoroso.

É bom pensar-se que a História, com os seus exemplos, bons e maus, pode dar a sua ajuda. Basta estabelecer as proporções mais devidas para uma avaliação saudável das similitudes mais marcantes do historial humano. A cooperação com o inimigo, em quaisquer circunstâncias, só pode classificar-se de reprovável.

Com efeito quem transige, sob qualquer pretexto, com quantos praticam atentados aos direitos políticos, económicos, culturais e sociais, mais dia, menos dia, mais ano, menos ano, tem um retorno político nada auspicioso. Assim tem sido o destino dos muitos que não têm querido, ou não têm sabido inimizar quem não norteia os seus procedimentos políticos pela norma Democrática, nisso considerado, por evidência, o próprio crime de lesa pátria.

Entre nós nada falta para poder afirmar-se que não há Democracia. Se, anos atrás, para o Professor Doutor Magalhães Godinho, essa circunstância já era a realidade vivida em Portugal, que dizer-se nos dias de hoje?

Maiorias, volto a repetir-me, teve-as o ditador Hitler. Que fez dela?

Por cá, de atropelo em atropelo, de roubo em roubo, de nepotismo em nepotismo, de subserviência em subserviência, de incompetência em incompetência mas, também, por causa do já reconhecido descrédito dos chamados dirigentes oposicionistas, só resta a população, ir para a rua onde pode conseguir demonstrar a sua indignação – a sua revolta legitima – por ver-se esbulhada dos direitos que o inesquecível 25 de Abril, com toda a justiça, permitiu fossem conquistados.

Será correcto que, em simultâneo com a movimentação democrática da população, haja grupos políticos que, em S.Bento, prossigam em aceitar legitimar o ataque sistemático e desapiedado que os governantes fazem aos interesses legítimos da população? Só por haver comportamentos hipócritas é que pode explicar-se a legitimação que na Assembleia da República tem sido dada às prepotências duma maioria golpista. Aceitar como meros desentendimentos parlamentares aquilo que a maioria neofascista tem estado a fazer ao Povo português é uma forma de subserviência muito grave e indesculpável. As oposições, se o são, só têm de fazer o que a honorabilidade manda.

Se perdem a honra, acabam por ganhar uma guerra e dela não vão sair-se nada bem. Abandonar S.Bento e não avalizar o assalto à Democracia é a obrigação de quantos insistem em considerar-se opositores da coligação antidemocrática que, salta à vista, domina a vida nacional, serve os interesses das máfias

 

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