A HISTÓRIA PODE DAR ALGUMA AJUDA – 6 -Unir a Esquerda? – por Carlos Leça da Veiga

 Como parece natural só posso dar o meu apoio a quem esteja mobilizado com propósitos tão interessantes que, deve dizer-se, no caso de reunirem as condições políticas mais exigíveis, só podem merecer os maiores elogios inclusive deverem ser-lhes dispensados todos os incentivos.

 No caso do Apelo “Unir a Esquerda” considero obrigatório dizer-se que para ser possível realizá-lo e consegui-lo com resultados favoráveis e sustentáveis não podem imaginar-se facilidades, frutos das boas vontades envolvidas, sendo que a pior das quais será a de idealizar-se, apenas, a viabilização duma mera soma de intenções, por melhores que aparentem ser

 Que é necessário ultrapassar divergências partidárias revela-se como uma das intenções do melhor quilate mas, para tal e para tanto – na minha opinião inabalável –  todos os aderentes terão de aceitar compromissos imperativos que estão muito para além dos meros entendimentos políticos sobre matérias que, como foi-me indicado no convite recebido, os despautérios políticos da governação actual, já geraram consensos prévios.

 Só quem tem escassa informação e formação política é que pode imaginar haver gestos de boa vontade, de intervenção descomprometida e sem segundos sentidos entre os devotos das organizações partidárias existentes que, lição inesquecível, nunca desarmam.

 Do transacto já vem a experiência de emboscadas políticas sempre à espera da oportunidade de, uma delas, fazer impor-se. Um exemplo excelente dum atropelo político cometido sobre o sentido democrático dum movimento político unitário que tinha dimensão nacional foi aquele produzido – quem  o recordará? – na Reunião da garagem de Odivelas, em 1973. Com efeito, uns tantos, mercê do seu número e do seu indesmentível mas, também, proverbial sectarismo, demonstraram sentir-se no direito de serem mais iguais que todos os demais e, por igual, concluíram que unir é só fazer o que eles entendem por mais conveniente e, por óbvio, conveniente só para eles. Só não aprendeu quem não quis. A História ajuda muito!

 Quem militou no MUD juvenil e no MDP/CDE sabe como as coisa tinham e tiveram o seu curso “unitário” desde que obedientes “àquela” batuta.

 Unir a esquerda é um sonho muito antigo dos entusiastas do frentismo.

 Entre nós, no passado negro do salazarismo, foi uma tónica dominante e os resultados nunca foram bons. Sempre a prometerem uma reviravolta mas se não tivessem sido as forças armadas nada tinha acontecido.

 Só por inocência é que pode querer fazer-se uma  qualquer união com quem não for aberta e deliberadamente contra os actuais chamados partidos da oposição. Não estou a querer falar do passado distante e dos compromissos vergonhosos – para não ser mais rigoroso – dos seus dirigentes com os interesses mais repugnantes que dividiam o mundo.

 Basta-me falar dos dias de hoje e apontar-lhes o colaboracionismo que têm dado às sucessivas versões dos reaccionarismo que, desde há muito, só têm destruído o que o glorioso 25 de Abril facultou ao Povo português. Nos dias de hoje que razão haverá para que esses ditos oposicionistas continuem em S.Bento a legitimar uma situação política a que bastas vezes têm acusado de estar a trair o País e a delapidar a Soberania Nacional.

 Aceitarei estar num movimento como aquele que foi-me preconizado,  se cada um dos aderentes, antes doutra coisa mais, objectivar o seu desagrado público pelo passado e pelo presente dos grupos partidários que hoje  em dia prosseguem no discurso parlamentar e alimentam o funcionamento  regular das instituições a que, despudoradamente, chamam democráticas .A maioria parlamentar actual já não pode considerar-se um mero adversário político antes sim um inimigo da População nacional.

 Com esses, só por motivos inconfessáveis é que pode colaborar-se.

 Depois da Manifestação de 15 de Setembro é bom deixar de pensar em misturas e é bom reconhecer que há Não-Alinhados.

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