A CANETA MÁGICA – A Literatura grega moderna – uma bela odisseia – 5 – por Carlos Loures

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O período da Junta Militar deu lugar a uma série de obras publicadas em países estrangeiros. O Diário de um Resistente, de Mikis Theodorákis, que traduzi e foi editado em 1974, não foi caso isolado. Um outro livro sobre o tema é o de Jean Starakis – Nas prisões dos coronéis, publicado em França no ano de 1971 e em Portugal em 1975.

Nascido em Atenas, filho de pai grego e mãe francesa, Starakis optou pela nacionalidade francesa. Criado em França, em 1966 foi para a Grécia, sendo agente da Agence Centrale de Presse, jornalista e correspondente de diversos jornais franceses. considerado como implicado no processo dos 34, da Defesa Democrática, é detido pela polícia política em Agosto de 1969 e, durante oito meses, submetido a interrogatórios e a tortura. Starakis descreve com uma linguagem depurada, sem lirismos despropositados, essas sessões de perguntas e de tortura.

Quem tenha passado pelos interrogatórios da PIDE não deixará de encontrar semelhanças óbvias entre os processos de uma e outra polícia. A mesma boçalidade, a mesma técnica de persuasão, tosca, primária. Os torcionários são iguais em todo o mundo – primatas, mas não seres humanos. Porém, piores, mais asquerosos do que os torcionários, são os políticos que, em períodos de ditadura e de violação dos mais elementares direitos humanos, fingem nada saber e afirmam ter as mãos limpas de sangue. Os membros da União Nacional, depois crismada de Acção Nacional Popular, da chamada “ala progressista” da ANP nasceu o PPD, actual PSD. Gente que descende politicamente do partido único do salazarismo, falsos democratas, aprenderam que a «democracia» é tão abrangente que acolhe os seus inimigos e os converte em “democratas”.

Mas voltemos ao tema. Falemos de Nikos Kazantzákis, o criador de Zorba.

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