A GALIZA COMO TAREFA – 25 de julho – Ernesto V. Souza

131137_html_m7d79f04fDia nacional da Galiza, festa maior, festa do patrão, mito, celebração, manifestações e ritos, que conformam um mosaico de celebração, sentimento, paixões, reivindicações, coletivas, institucionais, políticas, familiares e privadas.

Mais que uma data no calendário, trata-se de um poliedro multifacetado no que a Galiza revela-se em toda a sua complexa e densa realidade política e cultural.

O Iacobus, Sant-Iago, Jacobe, figura maior da cristandade ocidental agasalhado com lendas, atributos e tradições alto-medievais, romanas e muito mais antigas; apelado boanerges (filho do trovão), senhor das batalhas, muito conhecedor dos bons cavalos e ele próprio, quando não é peregrino fingido e mais que milagreiro, sábio e engenhoso meigo, cavaleiro em branco cavalo (ganho em jogo de engenho e palavras retorneadas à Rainha Lupa), branco também o hábito e pendão com a cruz colorada que é à vez espada de lume. Atributos clássicos, síntese enfim de centos ou milheiros de anos: Prisciliano, Merlim, Lugh convergem no santo da barba dourada.

Protetor e patrão da Espanha, a ele talham preito e homenagem ainda os exércitos e reis da Espanha que como a própria Compostela se vencelham desde a origem, e a ele deviam rico e odiado tributo e até o inicio da modernidade (1820) todas as paróquias da Coroa de Castela, tanto as peninsulares como as de além mar.

Vínculo com a história e a tradição, elemento de marcada estética antigo-regime, é também festa icônica e canônica do galeguismo e data reivindicativa central para os nacionalistas galegos, que escolheram e confirmaram a começos do século XX. A política e as dinâmicas de convergência popular definem este ano os atos e ainda ecoa terrível a catástrofe – uma mais – e péssima gestão do acidente ferroviário de Angrois.

Data comum e confirmação da variedade de grupos, da força múltipla e variada que conforma a Galiza; nesse dia mágico, prévio a ele e dias depois concentra-se fisicamente na rosa mística de pedra e por toda a diáspora geográfica e hoje na rede a energia, a emoção e a intensidade de todos aqueles que têm Galiza como sentido, ideia, projeto e tarefa.

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