PARTIDOS. NOVOS E VELHOS. EURICO FIGUEIREDO -4

 

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Porto, 27 de Setembro de 2012.

Meu Caro António José Seguro

A 25 de Maio de 2012 escrevi-te uma carta aberta pedindo os contactos (emails) das federações do Partido Socialista a fim de avaliar a disponibilidade destas para convocarem um Congresso Extraordinário do PS:

Perante o teu silêncio a uma primeira carta aberta de 29 de Março, solicitando-te que ponderasses a convocação de um Congresso Extraordinário do PS tendo como principal objectivo discutir propostas visando uma refundação da democracia portuguesa, valorizando, sobretudo (mas não só) a componente de democracia participativa, dirigi-me a ti para que pudessem ser as Federações a fazê-lo, como está estatutariamente previsto.

Não vejo a quem me poderia dirigir, nesta incumbência, senão a ti.

Na semana em que recebeste a minha segunda carta aberta fui contactado pelo teu chefe de gabinete, Dr. Ginestal convidando-me, por tua iniciativa, para um encontro contigo.

Não era isso que te pedira, mas sim as direcções das Federações do PS. Tinha, contudo, muito prazer em te comunicar de viva voz as razões que me movem atendendo às tuas funções e à estima que por ti tinha, resultado de oito anos de convívio no Parlamento.

Propus-lhe que me disponibilizava para te encontrar em qualquer segunda ou sexta-feira.

Até hoje o convite não se confirmou.

Passaram-se, entretanto, mais de quatro meses!

Acontece que, E AINDA BEM, partidos, deputados do PS e movimentos cívicos convocaram o “Congresso Democrático das Alternativas” que vai realizar-se no dia 5 de Outubro na Aula Magna da Universidade Clássica de Lisboa, com objectivos análogos aos que me levaram a escrever-te.

O partido que mais defendeu, depois do 25 de Abril, a democracia portuguesa, por tua insensibilidade, deixou de ser vanguarda na refundação que urge, da democracia portuguesa.

Esperarás, talvez, vir a ser mera alternância à governação do PSD.

Mas os tempos actuais não são de coruja.

A crise financeira, económica, social, ambiental, demográfica e política em Portugal e na União Europeia exigem líderes criativos e determinados.

Não é o teu caso, já percebi!

Julgas ser suficiente demarcares-te das políticas do governo e esperares pela tua oportunidade.

Constato, com mágoa, que não pretendes viabilizar debates transversais a todas as estruturas do Partido Socialista, condição necessária para uma real vivência democrática dentro do PS.

Tomo consciência, preocupado, da fragilidade das tuas convicções democráticas, ao dificultares-me, deliberadamente, utilizar todos os meios estatutários para poder convocar um Congresso Extraordinário do PS.

Já sabia, há muito, que o monopólio da democracia pelos partidos só podia criar líderes medíocres e timoratos, o que a realidade tem, infelizmente, confirmado.

Daí a minha determinação em querer diminuir o actual monopólio partidário da vida política nacional, monopólio que está a corroer o regime democrático.

De outro modo iremos de governo incompetente, em governo incompetente, até os portugueses se rebelarem, eventualmente, contra o que resta de democracia.

Parece que este risco não te preocupa.

Só quererás realizar o desejo de, a qualquer preço, um dia poderes ser primeiro- ministro.

No que respeita o assunto que justificou as minhas cartas abertas, convocar um Congresso Extraordinário do PS, fico-me por aqui.

Desculpa ter-te incomodado com as minhas preocupações e por ter pensado que, como Secretário -Geral do PS, te sentias obrigado a ser garante da democracia interna do partido.

Enganei-me.

Compreenderás que não poderei apoiar-te nas tuas funções de secretário- geral do PS.

Abraço

Eurico Figueiredo

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Amanhã- cartas de despedida e demissão do PS

 

 

 

 

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