A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
1 – Há uns anos apresentaram-me um tipo como sendo “o filho do dono da Olá”. O sujeito acabou por casar com a filha de um amigo pelo que, amiúde, cruzávamo-nos. Trocávamos, então, algumas poucas palavras. Nunca fui com a cara dele nem ele com a minha. Um dia o nosso encontro demorou mais do que o habitual e o dito aproveitou para fazer um longo “discurso” contra a esquerda que dizia, ele, usava sempre “a mesma ‘cassete’ contra os empreendedores”. Eu sorria, ouvia-lhe todas as tontarias, voltava a sorrir, até que pedi autorização para me levantar da mesa. Fui ao carro, saquei uma “cassete” com canções interpretadas pelo Sinatra e ofereci-lha. “Olhe, esta é a cassete que eu estava a ouvir até chegar a este agradável convívio…” Ora é dele, do “filho do dono da Olá”, que me lembro quando, por qualquer malfadada sorte, o meu olhar se cruza com o primeiro-ministro em exercício e não tenho possibilidade de mudar da “canal”. O “rapazito”, tal qual lhe chamou o seu companheiro Alberto João Jardim, padece da mesma “ciência política”, “inteligência”, “capacidade argumentativa” e “nível cultural” do “filho do dono da Olá” que afinal, foi-me dito mais tarde, era apenas um vendedor de gelados daquela marca.