A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
O fenómeno da aculturação a que assistimos na nossa península, com castelhanos a tentar suprimir os demais idiomas e sobrepondo as suas tradições e percursos culturais aos dos outros povos, permite-nos compreender melhor o que os turcos procuraram fazer na Grécia e noutros territórios submetidos ao poder central do Império. Se o catalão e o português resistiram sem soluções de continuidade à agressão castelhanizante, o galego quase foi suprimido, convertido em dialecto do espanhol, e quando, no século XIX, Rosalía de Castro e os seus companheiros empreenderam o rexurdimento tiveram de quase reinventar a sua língua. Com a vantagem de que, neste caso, em Portugal o idioma se conservara, evolucionara, criara neologismos próprios e os galegos puderam recorrer à genética linguística recolhida em Portugal para reconstituir alguns séculos de aculturação. O grego, como já vimos, resistiu até ao século XVII sob a forma escrita em Creta e em Chipre, enquanto as ilhas foram administradas pela República de Veneza na própria Sereníssima.