Este ano foi entregue a Denis Mukwege é médico ginecologista, vive no Congo, mais precisamente na cidade de Butayu, e aí gere um hospital. Especializou-se no tratamento de mulheres que foram violadas por milícias na guerra civil do Congo, sendo um dos maiores especialistas mundiais na reparação e tratamento de danos físicos provocados por violação. Tratou mais de 21 000 mulheres durante os 12 anos de guerra, algumas mais do que uma vez, chegando a fazer mais de 10 cirurgias por dia em dias de trabalho de mais de 18 horas.
No ano passado já recebera o Prémio Sakharov, atribuído pelo Parlamento Europeu a pessoas e organizações que lutam pela “liberdade de espírito” e pelos direitos do homem, o Prémio Olof Palme e sido escolhido como Africano do Ano, em 2008.
Agora, recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian 2015, no valor de 250 mil euros. O Prémio Calouste Gulbenkian é atribuído a uma instituição ou a uma pessoa, portuguesa ou estrangeira, que se tenha distinguido na defesa dos valores essenciais da condição humana.
O júri do prémio, presidido por Jorge Sampaio é composto por Vartan Gregorian (Carnegie Corporation, EUA), Pedro Pires (antigo presidente de Cabo Verde), princesa Rym Ali da Jordânia (fundadora do Jordan Media Institute), Sampaio da Nóvoa (antigo reitor da Universidade de Lisboa) e Mónica Bettencourt-Dias (investigadora do Instituto Gulbenkian de Ciência). Realçaram ou a “extraordinária ação humanitária” de Denis Mukwege, num país “onde a violação e a mutilação sexual são utilizadas como arma de guerra”.
O Prémio Calouste Gulbenkian foi atribuído pela primeira vez em 2012 à West-Eastern Divan Orchestra, a formação liderada por Daniel Barenboim, e no ano seguinte à Biblioteca de Alexandria. Em 2014 distinguiu a Comunidade de Santo Egídio.
Denis Mukwege afirma: “Vi vaginas onde espetaram pedaços de madeira, de vidro, de aço. Vaginas laceradas por lâminas de barbear, por facas, por baionetas. Vaginas queimadas com borracha em brasa, com soda cáustica. Vaginas em que deitaram gasolina e depois pegaram fogo”».

