A Grécia é tratada como um estado hostil ocupado – por Ambrose Evans-Pritchard III

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

(conclusão)

 

Uma tal fórmula implicaria a intervenção do BCE para estabilizar o dracma, impedindo uma espiral de baixa descontrolada e perigosa do seu valor cambial. Isto teria sido certamente melhor que o documento atroz que  Tsipras deve agora levar para Atenas.

O líder de Syriza vai ter que “vender” um acordo que deixa a Grécia numa armadilha de dívidas permanentes, sob um controlo de tipo neocolonial, e tão frágil economicamente que é quase certo que este irá rebentar numa nova crise na próxima recessão mundial ou europeia.

Neste momento, todos acusarão outra vez os Gregos, injustamente, e teremos ainda outro leque de duras e amargas negociações, até que qualquer coisa quebre, finalmente, este ciclo sinistro de malogros e de recriminações.

Picture6

O acordo deixará a Grécia economicamente tão frágil que é quase certo que a situação rebentará numa nova crise na próxima recessão mundial.

Para a zona Euro este “acordo” é o pior possível. Não se resolveu absolutamente nada. A Alemanha e os seus aliados pela primeira vez tentaram expulsar um país do euro e, ao fazê-lo, violaram o carácter sagrado da união monetária.

Em vez de seguirem em frente, nestes tempos de crise profunda, a caminho de uma união orçamental e política para manterem em conjunto o euro – como os arquitectos da UEM sempre o tinham concebido – fizeram marcha atrás.

Com um só golpe converteram a zona Euro num sistema de câmbio fixos, um Mecanismo de Taxa de Câmbio renovado (ERM) que é em si-mesmo instável, submetido aos caprichos e à mercê de políticos populistas que fazem teatro para os seus eleitores. Os mercados começam já chamar-lhe o ERM3.

Nos próximos dias voltarei a analisar o comportamento da Alemanha e sobre o desastre diplomático a que se assistiu. De momento, gostaria apenas de citar o veredicto do historiador Simon Schama. Este afirmou :

“Se Tsipras ficou com a coroa do rei Pirro na semana passada, é Merkel que a tem agora . O seu ultimato é o início do fim da UE”, concluiu. Exactamente.

 

Crise na Grécia : o que aconteceu depois do referendo

Domingo, 5 de Julho

 

A Grécia diz “Não”

O eleitorado grego rejeita as condições de um acordo de refinanciamento, com 61,31% de votos “ Não”, reforçando a posição do primeiro ministro Alexis Tsipras que declara que este voto “não é um mandato de ruptura com a Europa, mas um mandato que reforça a nossa capacidade de negociação para poder alcançar um acordo viável”.

 

Segunda-feira 6 de Julho

O ministro “rock-Star” demite-se

Yanis Varoufakis demite-se das suas funções de ministro das finanças da Grécia para melhorar as relações com os credores da zona euro . É substituído por Euclide Tsakalotos, que dirigiu as discussões com os credores da União Europeia e do FMI. O BCE mantém um fluxo de liquidez vital para os bancos gregos mas com condição bem duras.

Terça-feira 7 de Julho

Os Gregos apresentam-se de  mãos vazias

Os ministros das finanças da zona euro encontram-se em Bruxelas antes de uma cimeira extraordinária dos chefes de Estado e de governo da Zona euro . As duas  reuniões  terminam  sem uma proposta detalhada do governo grego. É dado à Atenas até a quinta-feira para apresentar um programa de reformas convincente.

 

Quarta-feira, 8 de Julho

 

“Último apelo ”

Tsipras declara no Parlamento europeu que a Grécia apresentará nas 24 horas seguintes um plano “credível” enquanto que o presidente da UE Donald Tusk previne os deputados: “É realmente o último apelo para a Grécia e, para nós, é a nossa última possibilidade.” Atenas apresenta formalmente o pedido de uma nova ajuda ao fundo de estabilidade da zona euro e propõe uma reforma das pensões de reformas e da fiscalidade em troca de um empréstimo de três anos da zona euro .

Quinta-feira 9 de Julho

Mais vale tarde que nunca

Depois da  chanceler alemã Angela Merkel repetir que se opõe a um abatimento sobre a dívida, a Grécia apresenta a Bruxelas um novo plano de resgate, duas horas antes do fim da hora limite, a meia-noite.

Sexta-feira 10 de Julho

Não, mas sim

Atenas detalha as novas propostas, que se assemelham rigorosamente às apresentadas pelos credores internacionais da Grécia no mês precedente. A Grécia aceita assim ceder, vergar-se, às exigências dos credores de desencorajar as reformas antecipadas, de aumentar as contribuições de saúde, aumentar os impostos, de vender a parte do estado no gigante das telecom OTE e de privatizar os portos do Pireu e Salónica.

 

Sábado 11 de Julho

Um Grexit temporário?

Uma reunião dos ministros das finanças da zona euro termina-se com profundas divisões sobre a confiança a atribuir à Tsipras para um terceiro plano de ajuda de mais de 80 mil milhões de euros. Um documento do ministério das finanças alemão indica que Berlim espera compromissos bem mais concretos da Grécia, ou então a Grécia deveria deixar a zona euro durante cinco anos até que tenha colocado as coisas em ordem.

 

Domingo 12 de Julho

As coisas degradam-se

A UE anula uma cimeira para o dia 28 em Bruxelas para decidir se a Grécia deve permanecer ou não na zona euro . É substituída por uma cimeira dos 19 líderes da zona euro, onde é pedido à Atenas que faça aprovar novas reformas nessa semana.

Segunda-feira 13 de Julho

“A-grec-ment”

Tusk anuncia que a cimeira chegou ao acordo unânime sobre “um plano para a Grécia com importantes reformas e um apoio financeiro”. Um documento de 7 páginas revela os seus termos: aumento do IVA e baixa das reformas, mas com 50 mil milhões de euros de privatizações dos quais uma parte será afectada à iniciativas de crescimento. Atenas deve também reorganizar o seu sistema de justiça civil e alinhar as suas leis bancárias sobre o resto da UE.

Source : The Telegraph, le 13/07/2015

Traduit par les lecteurs du site www.les-crises.fr. Traduction librement reproductible en intégralité, en citant la source.

 

Ambrose Evans-Pritchard, The Telegraph, La Grèce est traitée comme un état hostile occupé, par Ambrose Evans-Pritchard. Texto disponível em :

http://www.les-crises.fr/la-grece-est-traitee-comme-un-etat-hostile-occupe-par-ambrose-evans-pritchard/

Ambrose Evans-Pritchard, The Telegraph, Greece is being treated like a hostile occupied state-A new deal for Athens is the worst of all worlds and solves nothing. Texto disponível em:

http://www.telegraph.co.uk/finance/economics/11736779/Greece-is-being-treated-like-a-hostile-occupied-state.html

 

A Grécia é tratada como um estado hostil ocupado – por Ambrose Evans-Pritchard II

Leave a Reply