Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
(conclusão)
Em segundo lugar, o novo banco central teria de redefinir a sua relação com o BCE. Ele passaria agora a definir a sua própria política de taxa de juro e a ser responsável pelas chamadas transacções oficiais, que incluem intervenções no mercado cambial. Grande parte dessa experiência faz parte hoje dos bancos centrais nacionais, dada a estrutura do Eurosistema.
Portanto, em termos práticos, não vejo que haja problemas reais em introduzir a sua própria moeda e que estejam para além da capacidade do governo grego e do Banco da Grécia.
Mas, ainda há questões que precisam ser tratadas:
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Como lidar com a dívida pública e privada pendente, que é enorme, expressa em euros.
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Como lidar com os depósitos bancários denominados em euros dentro da nação que vai sair do euro.
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Como gerir a possibilidade de desvalorização da moeda e para minimizar o risco de inflação resultante e proteger os padrões de vida actuais .
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Como reduzir os fluxos de capitais especulativos (por exemplo, utilizando controlos de capital).
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Como lidar com quaisquer alterações ao quadro jurídico que rege o comércio transfronteiriço entre países se a nação também é expulsa da UE, entre outras outros problemas .
Pessoalmente, trabalhei sobre cada uma daquelas questões em detalhe no meu livro Eurozone onde se fornece um modelo de melhores práticas para a gestão das questões e sair tão bem quanto possível – sendo certo que os primeiros dias serão sempre um pouco caóticos.
Conclusão
Muito mais pessoas estão a especular sobre a saída da Grécia. Isto tem estado a acontecer desde há alguns anos até agora como a inevitabilidade da saída ou então uma Grande Depressão a longo prazo torna-se cada vez mais evidente.
Em 1 de junho de 2012, o artigo do Wall Street Journal – Bloomberg Tests Post-Euro Greek Drachma Code – Bloomberg Testes o código do dracma grego – relatava como durante um curto período de tempo numa sexta-feira- os especuladores nos mercados cambiais “ficaram chocados ao ver referenciada uma nova moeda a aparecer nos seus ecrãs Bloomberg: o dracma pós-euro . “
Reuters: A drachma coin is seen on display.
Seria ingénuo acreditar que os gregos não têm vindo a desenvolver um plano de contingência. O artigo EU Observer (08 de Julho de 2015) – Final deadline for Greece, as EU prepares for Grexit – diz-nos que a Comissão Europeia tem desenvolvido “planos de como enfrentar uma saída da Grécia da zona do euro”.
Estes são em detalhe:
O ponto é que a ‘logística’ não é nada problemática .
E os benefícios imediatos do crescimento imediato de que a Grécia poderia desfrutar são assim propostos. Eles nunca deveriam ter entrado na zona euro. Eles deveriam ter saído em 2010, dado que tinham cometido o erro de nela entrar. Eles deveriam ter recusado o resgate em 2012. Eles devem sair hoje.
Todos os discursos de que eles já não são europeus é pura verborreia. Os mapas não mudam com uma saída da zona euro. De toda a maneira, os gregos dificilmente poderiam reivindicar partilhar uma cultura com os europeus do norte, como resultado de terem entrado no euro.
Os relatos que nos chegam da Alemanha, actualmente indicam que “Griechen bashing” está a atingir o seu auge.
It was reported in the Neue Osnabruecker Zeitung yesterday (July 7, 2015) – Oxi zu griechischem Essen? – that:
O que significa que o gerente de um restaurante grego local tinha recebido cinco emails de alemães a dizerem já não queriam jantar no seu restaurante grego
Mas numa nota mais brilhante ainda, a história em NOZ de hoje – Trotz “Nein”: Deutsche Urlauber sagen “Ja” zu Griechenland – diz-nos que, apesar do voto NÃO, os turistas alemães ainda estão interessados em fazer férias na Grécia.
A Associação de Turismo Alemão (Deutsche ReiseVerbands) diz que a Grécia é um destino de férias muito popular entre os alemães e que está a continuar a ter um forte crescimento de reservas.
Com uma saída do euro e um dracma de valor cambial mais baixo, as ilhas seria movimentadas com mais euros alemães!
Biill Mitchell, A Greek exit is not rocket science. Editado a 8 de Julho. Publicação autorizada pelo autor. Texto disponível em:
http://bilbo.economicoutlook.net/blog/?p=31313
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Uma saída da Grécia do euro não é alta ciência – por Bill Mitchell III



