EDITORIAL –  ESTADOS UNIDOS: DE DONALD TRUMP AO COEFICIENTE DE GINI.

 

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Donald Trump, milionário americano, resolveu lançar-se na corrida para a nomeação pelo partido republicano, para a candidatura à presidência da república. A sua fortuna terá sido feita sobretudo no campo da construção civil (herdou a firma do pai), investindo também na comunicação social, no espectáculo e no desporto. Apoiante há muito do partido republicano, simpatizou com Ronald Reagan (com certeza que não foi por acaso) e esteve próximo do Tea Party. Promete aumentar enormemente a competitividade norte-americana e, entretanto, tem dado nas vistas pelos comentários extremamente insultuosos que faz sobre a imigração, nomeadamente a imigração proveniente da América Latina, prometendo expulsar todos os ilegais e construir um muro entre os Estados Unidos e o México (que obrigará os mexicanos a pagar), e sobre as mulheres, proferindo sobre estas comentários perfeitamente vexatórios e desumanos. Contudo parece que comanda destacado as sondagens sobre quem é favorito à nomeação à candidatura pelo seu partido. Num frente a frente transmitido na televisão, em que expôs abundantemente as suas “ideias”, de entre os outros candidatos, apenas um, Jeb Bush (é do clã Bush, tenham atenção) se lhe opôs.

Claro que ganhou muita atenção da comunicação social. Se está a correr para ganhar ou para abrir caminho a alguém, só daqui a algum tempo se poderá perceber. Entretanto, os comentadores debruçam-se sobre a situação. Vargas Llosa, no El País de domingo passado, diz que se trata apenas de um milionário que se diverte. Entretanto, defende encomiasticamente os Estados Unidos que diz serem a “sociedade de ponta do nosso tempo” e a melhor prova de que pode prosperar uma sociedade multirracial, multicultural e multirreligiosa, e louva o capitalismo. Condena as declarações de Trump sobre os imigrantes sul-americanos (não fosse Vargas Llosa peruano), mas não refere as contra as mulheres. E nas suas referências aos Estados Unidos também não refere os assassinatos de afroamericanos por polícias em serviço, que parecem ser cada vez mais numerosos, nem a classificação do país quanto a desigualdades.

Paul Krugman, que pode ser lido no mesmo jornal, no suplemento de negócios, com mais sensatez, refere que o problema não é só de Trump, mas de todo o partido republicano, duvidando mesmo de que os seus membros andem a falar com seriedade. E refere que aquilo a que poderia chamar a política normal abandonou há muito este partido, assinalando que este se encaminha para políticas radicais, que poderá ou não tentar encobrir com uma retórica convencional.

O problema será mesmo dos Estados Unidos, é de deixar claro. O candidato democrata (possivelmente será uma candidata, Hillary Clinton), não aparecerá a público com o mesmo grau de boçalidade, mas poderá na prática demarcar-se deste baixo nível de intervenção? Desejará mesmo isso. Pense-se nas promessas de Obama, que ficaram na maior parte por cumprir.

Vejam o que diz esta publicação do Observatório das Desigualdades. Nos países da OCDE, apenas o México, em 2013, tinha um índice maior que o dos Estados Unidos.

http://observatorio-das-desigualdades.com/2015/05/22/paises-da-ocde-mais-pobres-e-desiguais/

 

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