A GALIZA COMO TAREFA – fins e começos – Ernesto V. Souza

Arredor de 1500 a ideia de universalidade católica começa a ser questionada, em 1600 desaparecera, como a cavalaria, a favor de uma Europa repartida em Estados e governada por umas elites conscientes da sua identidade.

Desde 1350 nos territórios da França, na Germánia e na Península, começa da mão de novas dinastias um processo no que os diversos tronos em consolidação irão incorporando, subordinando e dissolvendo em diversa medida territórios, regiões, ducados, condados e até antigos Reinos que apenas um século antes representavam histórias, identidades, poderes, linhagens e economias que definiram por quase mil anos a política Europeia.

A descoberta da América, as navegações a Oriente, e a Norte transformarão, não apenas as economias, senão as percepções e sentido de uma Europeidade que emerge diversa e em competência.

A Borgonha,  Gênova, Aquitânia, Navarra, Normandia, Gascunha, a Provença, Lombardia, Sicília, Catalunha, a Galiza são nomes e culturas, espaços geográficos, económicos e políticos que se apagam entre 1400 e 1500, e que passam a formar parte, especializada, subordinada, ou dependente de conjuntos reunidos politicamente arredor de dinastias, linhagens e monarcas destacados.

No momento em que Macchiavelli redige Il principe, Lutero afixa as suas 95 teses, a cristandade como ideal político, o humanismo e o sonho universalista dos humanismos até a época de Erasmo , a cavalaria e a ideia Imperial ainda não são conscientes, como as antigas nobrezas e poderes locais sediadas em antigas províncias Romanas, ou vinculadas a capitais eclesiásticas históricas, que estão já submersas no processo de construção dos Estados europeus que com diversas mutações históricas, terminarão construindo as identidades, línguas e culturas europeias que chegarão até a queda do Antigo regime e mesmo além.

Uma história nacionalista dificilmente pode enxergar a quantidade de fatores e circunstâncias, que operam ao mesmo tempo em toda a Europa e no Mundo, e como a incorporação da Normandia e a Aquitánia a França, a divisão de Navarra e Aragão entre Castela e França, o declínio da casa da Borgonha na França mas não nos principados Germámicos, a debilidade do império Mediterrâneo Aragonês, terminarão por implicar a emergência e política das casas de Avis e Trastámara e a modificação do espaço peninsular numa realidade política Atlântica (Portugal) e outra potência Mediterrânica e Continental (Castela).

É fascinante entender que o mapa europeu podia ter sido tão outro com a mudança de uma dinastia por outra em qualquer uma das fases ou quadrinhos do tabuleiro do grande xadrez.

1 Comment

  1. Gostei do artigo. Ele dá nome à colcha de retalhos que era a península no início da dinastia de Fernando de Aragão e Isabel de Castela. Parabéns

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