TEMAS DE HISTÓRIA – O REGICÍDIO – por JORGE LÁZARO

Saltimbancos

  

regicídio - I 

MANUEL BUIÇA, UM DOS REGICIDAS
MANUEL BUIÇA, UM DOS REGICIDAS

1.º CENTENÁRIO DO REGICÍDIO – 1908 – 2008

O regicídio ocorreu em Lisboa, no Terreiro do Paço, no dia 1 de Fevereiro de 1908, poucos minutos depois das dezassete horas.

A família real regressava de Vila Viçosa onde tinham passado o mês de Janeiro, aproveitando a extensa  tapada para caçar.

Por manifesta e repetida vontade de D. Carlos, o percurso nas ruas de Lisboa não foi feito de automóvel, mas em coche descoberto. Além disso, a escolta estava reduzida aos batedores.

Foram dois os regicidas que dispararam contra a família real: NE-E Manuel Buiça, professor primário,  e Alfredo Costa , empregado do comércio. Tal como esperavam, e Manuel Buiça deixou escrito na sua carta/testamento,  foram mortos na troca de tiros que se seguiu. Eram ambos da Carbonária.

Morreram vítimas das  balas disparadas por estes dois homens o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe.

O Conselho de Estado, reunido no dia seguinte, votou a demissão do governo de João Franco, que D. Carlos apoiara, e nomeou um novo governo denominado “governo de acalmação”, presidido por um militar independente e constituído por personalidades dos partidos regenerador e progressista, além de figuras independentes.

A Maçonaria condenou o regicídio e “não interveio directa ou indirectamente.”- afirma António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.” Por doutrina, diz ele, a Maçonaria não é contra o regime monárquico, mas contra as monarquias absolutas e as ditaduras, por violarem o princípio da liberdade.”

Em sua opinião, “o regicídio foi uma conspiração  da dissidência monárquica.”

Foram aqueles que assim pensavam que criaram a alcunha de “buissidentes” que  utilizavam  quando  se   referiam aos monárquicos  José Alpoim  e  ao  Conde  da  Ribeira Brava   que comprou  as  armas  e municiou os regicidas.

Dois  anos  passados  a  República  saía    vitoriosa e   a  família  real, nomeadamente   as rainhas   D.ª Maria  Pia   e   D.ª  Amélia   e o   rei D.º Manuel II partiam para o exílio em Inglaterra.

Já  com   oitenta  anos   D.ª Amélia  obteve autorização de Salazar para revisitar  Portugal. São palavras suas: “Recordar?!…  Recordar   é  ter  esquecido uma vez. Eu nunca esqueci!”

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