O regicídio ocorreu em Lisboa, no Terreiro do Paço, no dia 1 de Fevereiro de 1908, poucos minutos depois das dezassete horas.
A família real regressava de Vila Viçosa onde tinham passado o mês de Janeiro, aproveitando a extensa tapada para caçar.
Por manifesta e repetida vontade de D. Carlos, o percurso nas ruas de Lisboa não foi feito de automóvel, mas em coche descoberto. Além disso, a escolta estava reduzida aos batedores.
Foram dois os regicidas que dispararam contra a família real: NE-E Manuel Buiça, professor primário, e Alfredo Costa , empregado do comércio. Tal como esperavam, e Manuel Buiça deixou escrito na sua carta/testamento, foram mortos na troca de tiros que se seguiu. Eram ambos da Carbonária.
Morreram vítimas das balas disparadas por estes dois homens o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe.
O Conselho de Estado, reunido no dia seguinte, votou a demissão do governo de João Franco, que D. Carlos apoiara, e nomeou um novo governo denominado “governo de acalmação”, presidido por um militar independente e constituído por personalidades dos partidos regenerador e progressista, além de figuras independentes.
A Maçonaria condenou o regicídio e “não interveio directa ou indirectamente.”- afirma António Reis, Grão Mestre do Grande Oriente Lusitano.” Por doutrina, diz ele, a Maçonaria não é contra o regime monárquico, mas contra as monarquias absolutas e as ditaduras, por violarem o princípio da liberdade.”
Em sua opinião, “o regicídio foi uma conspiração da dissidência monárquica.”
Foram aqueles que assim pensavam que criaram a alcunha de “buissidentes” que utilizavam quando se referiam aos monárquicos José Alpoim e ao Conde da Ribeira Brava que comprou as armas e municiou os regicidas.
Dois anos passados a República saía vitoriosa e a família real, nomeadamente as rainhas D.ª Maria Pia e D.ª Amélia e o rei D.º Manuel II partiam para o exílio em Inglaterra.
Já com oitenta anos D.ª Amélia obteve autorização de Salazar para revisitar Portugal. São palavras suas: “Recordar?!… Recordar é ter esquecido uma vez. Eu nunca esqueci!”