Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Os bancos gregos estão a morrer e rapidamente
Matt O’Brien, Greece’s banks are dying, and fast
The Washington Post/Wonkblog, August 6 at 7:00 AM
A Grécia está a descobrir que não se pode ter uma economia sem bancos mas também ninguém pode pensar que pode haver bancos sem economia. Ou pelo menos onde aos empresários não seja possível comprar as coisas de que precisam para permanecer em actividade.
Agora, os bancos têm estado a cair vítimas de um erro clássico. O mais famoso dos quais é “nunca comece uma guerra terrestre na Ásia”, apenas um pouco menos conhecido do que o seguinte: “Nunca se estabeleça num país que tenha sido forçado a políticas de mega-austeridade e de controlos de capital como resultado de uma união monetária. ” Por outras palavras — eles não emprestam dinheiro a pessoas sem posses ou que perderam dinheiro nas suas péssimas apostas. Os bancos da Grécia apenas cometeram o erro de serem bancos na Grécia.
Parte do problema é o medo que a Grécia tem em ser expulsa da moeda única e que os euros de todos os gregos se transformem em dracmas que não terão valor em parte nenhuma, pelo menos durante um certo tempo. Isso desencadeou uma lenta corrida aos bancos – que se acelerou em ritmo nos últimos meses quando parecia que não poderia haver na verdade nenhum acordo. Mas isto seria um problema administrável, desde que o Banco Central Europeu fizesse o seu trabalho de emprestador de última instância e emprestasse dinheiro aos bancos da Grécia em troca de activos difíceis de vender. O BCE deixou de fazer isso, e assim, os bancos da Grécia não tinham uma outra escolha que não fosse o encerrarem por algumas semanas as suas portas. Não só isso, o governo teve que impedir as pessoas de movimentarem o dinheiro para fora do país, o que os economistas chamam de aplicação de controles de capital, de modo que a corrida aos bancos não se tornasse numa corrida contra a Grécia.
Podemos dizer que é apenas um pequeno exagero dizer que isto faz com que a Grécia passe de ser uma economia que tem muito pouco para uma economia que não tem nada de nada. As empresas gregas não têm sido capazes de poder pagar aos fornecedores estrangeiros, uma vez que não é possível enviar dinheiro para fora do país, de modo que as suas fábricas passaram a estar sem matérias-primas ou outros produtos intermediários ou de bens de capital necessários à produção. Tudo isto actua no sentido da paralisação da economia grega. O índice Purchasing Mangers Index, que mede a actividade da indústria transformadora, acaba de entrar em colapso passando de um doentio valor de 46,9 para um mortífero valor de 30,2. Nada menos do que 50 por cento de redução no sector transformador.
Isto, por sua vez, significa que a actividade empresarial grega tem sido capaz de poder pagar as compras necessárias à sua actividade mas que vai deixar de o poder continuar a fazer. E assim os bancos gregos que lhes emprestaram dinheiro, o que na época era uma coisa perfeitamente razoável em fazer-se, estão agora à beira de terem que suportar muitas mais perdas. Quanto mais? Bem, o bastante para que, como se pode ver abaixo, as suas acções tenham estado diariamente a perder muito do seu valor, caíram em 30 por cento desde que o mercado reabriu. Some-se tudo isso, e os quatro maiores bancos da Grécia perderam entre 80 e 90 por cento do seu valor desde Outubro passado. A este ritmo, não vai demorar muito até que eles precisem de 10 a 25 mil milhões como resgate que os credores da Grécia pensam que será então necessário para a sua recapitalização.
E aqui devemos lembrar que a Grécia pagou um elevado custo económico e para não ter nenhum ganho, mas actualmente o não ter ganho significa bem pior, significa pagar um elevado custo para ter como resultado um grande prejuízo. O partido no governo, Syriza, pensava que poderia ganhar melhores condições de resgate ao levar os parceiros a jogarem contra a Grécia o jogo da galinha em tudo isto, uma vez que ameaçava abandonar a zona euro quando de facto não tinha intenção de o fazer. Isto foi um erro. O problema era que, para a Alemanha, pelo menos, esta ameaça era não tanto uma ameaça mas antes uma oportunidade – Berlim propunha, em termos os mais condescendentes possíveis, que a Grécia saísse temporariamente, por cinco anos, da moeda comum. (Nenhuma palavra sobre se a Grécia teria de se virar e ficar encostada à parede).
O resultado foi que Syriza incorria em enormes custos ao deixar o euro, como uma crise financeira, ao mesmo tempo que tinha de manter os custos de ficar no euro, ou seja, tinha de manter a austeridade. Mesmo isto minimiza o que foi um verdadeiro desastre, se bem que a Grécia acabou por estar de acordo com termos muito mais duros que os anteriormente exigidos e que aumentaram os custos de permanecer no euro. Se a experiência de Chipre, com controles de capital pode servir de guia, serão necessários anos antes de que a Grécia possa ser capaz de levantar os seus controlos de capitais, degradando ainda mais uma economia já muito fraca.
O único consolo é que os bancos da Grécia não podem cair abaixo de zero.
Matt O’Brien, Washington Post, Greece’s banks are dying, and fast. Texto disponível em:
http://www.washingtonpost.com/news/wonkblog/wp/2015/08/06/greeces-banks-are-dying-and-fast/
Matt O’Brien is a reporter for Wonkblog covering economic affairs. He was previously a senior associate editor at The Atlantic.



