O QUE FAZ FALTA por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

São muros que se levantam, são arames farpados que se desenrolam, são armas que se apontam, são ameaças de pôr fim ao espaço de livre circulação e bens.

São manifestações racistas que começam a aparecer um pouco por todo lado.

É o governo Sírio a matar, a mandar para fora do país os seus cidadãos.

São mortes, choros, desgostos, desalentos, revoltas, fome, doenças que pairam em cima do mar…

Tudo vemos na televisão, até a morte em directo!

São crianças, recém-nascidos, grávidas, pais angustiados, são os medos de se perderem da família…

São lanchas a transportar mais do dobro de pessoas do que são capazes.

Desde o início do ano 137 mil migrantes entraram na Hungria.

A vedação não impede quem já arriscou a vida para ir de barco até à Grécia, não desanima quem já enfrentou a polícia junto à Macedónia e atravessou a Sérvia.

É tal o desespero que não há lugar para a exclusão, todos os que querem fugir da guerra são incluídos com esperança de sucesso.

A tal União Europeia já não tem atilhos para unir os diversos governos.

A tal União Europeia tem correntes que amarram os diversos países para terem como prioridade os mercados. As pessoas são números desfocados…

Os povos dos diversos países unem-se no sofrimento, uns fazem frente como os Gregos, outros vivem com medo como os Portugueses.

O sofrimento dos povos desperta violência dos governos…

Onde está a Solidariedade, a Liberdade, a Fraternidade?

Já não se aguenta tanta maldade humana!

O que é feito do Homem Novo? Dos Direitos Humanos?

Estamos pobres mas não anestesiados!

Quando um homem dorme na valeta
O que faz falta
Quando dizem que isto é tudo treta

O que faz falta
O que faz falta é agitar a malta
O que faz falta
O que faz falta é libertar a malta
O que faz falta

                                                Zeca Afonso, O Que Faz Falta

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