OBRIGADO A GÜNTER ADOLF WOLFF E CAMILO JOSEPH
Salve!
Aqui uma análise da conjuntura que montei a partir de vários artigos que eu li, algumas vezes cito os autores outras não, como diz o povo: prá colônia serve:
Conjuntura Atual – Março de 2015
(continuação)
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4 – Brasil ecológico
Os ambientalistas deveriam perguntar em última instância por que há destruição do meio ambiente. Há uma destruição para produzir, mas tem tecnologia que poupa o meio ambiente e tem tecnologia que destrói ainda mais. Qual as empresas adotam? As que tiverem mais lucro. Mas não podemos deixar o mercado definir isso, por isso o Estado nacional é importante em relação ao mercado. Por isso eu não sou neoliberal. Na verdade não é uma questão de economia, mas de sobrevivência. O Estado é fundamental, temos de aperfeiçoá-lo. Que alternativa nós temos? Deixar o mercado livre? Mas mercado livre é selvageria completa e absoluta.
Nos últimos anos, temos assistido a grandes retrocessos na política socioambiental brasileira. Aprovado há mais de dois anos com diversas concessões à bancada ruralista no Congresso Nacional, o novo Código Florestal (Lei 12.651/12) é o exemplo mais claro desse movimento que busca o enfraquecimento da legislação ambiental em prol de interesses de grupos pontuais. Os que apoiam os retrocessos argumentam que o movimento ambientalista explora um debate ideológico dessas questões, e que esse debate seria distante, por exemplo, da realidade dos produtores agrícolas brasileiros e da necessidade mundial de produção de alimentos. Um argumento, porém, ilusório, pois a ciência já comprovou que a conservação das áreas de vegetação nativa é fundamental para a proteção da biodiversidade e para a disponibilidade de serviços ambientais essenciais a todos, incluindo a produção de alimentos. Apesar disso, o que se vê são decisões políticas que ignoram os pareceres técnicos e o conhecimento de pesquisadores e especialistas.
– Neste início de 2015, a Frente Parlamentar Ambientalista já selecionou as pautas que serão prioritárias nesta nova legislatura, a exemplo da crise hídrica. Este foi inclusive o tema do primeiro café da manhã do ano organizado pela Frente na Câmara dos Deputados e que reuniu parlamentares, especialistas, secretários estaduais de Meio Ambiente e representantes de organizações da sociedade civil para um debate. Na ocasião, foi anunciada também a criação do “Comitê Gestor da Crise da Água no Brasil”, que levará ao Plenário mais discussões sobre soluções e enfrentamento da crise.
Outro tema prioritário ao grupo será a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 504/10, que pretende elevar o Cerrado e a Caatinga à condição de patrimônio nacional. Esses dois biomas representam juntos um terço do território brasileiro, sendo que a Caatinga é o único exclusivamente brasileiro. O texto encontra resistências na bancada ruralista no Congresso.
Ainda em relação ao Cerrado, o grupo quer prioridade para o PL 7338/14, que trata da conservação e da utilização sustentável da vegetação nativa deste bioma. Esse projeto ainda precisa ser analisado pelas comissões temáticas antes de ser votado no Plenário.
Outro ponto de atenção da Frente Ambientalista é a PEC 215/00, que transfere do Poder Executivo para o Congresso Nacional a prerrogativa de criar e modificar limites de terras indígenas, de quilombolas e áreas de proteção ambiental.
A grande floresta amazônica, como sabemos hoje, exporta serviços ao clima para uma maior parte da América do Sul. A destruição da Mata Atlântica certamente teve efeito ruim sobre o clima local, especialmente na perda da regulação hidrológica fina e da capacidade de atenuação de extremos climáticos. Mas nos séculos passados essas regiões continuaram recebendo umidade suficiente da Amazônia para não terem se raridificado. A destruição sistemática e acelerada da floresta amazônica nos últimos 40 anos começa a destroçar a proteção que oferecia. Estamos matando a galinha dos ovos de ouro.
– Vandana Shiva: “Os processos de acumulação de riqueza injustos e a concentração do controle sobre os recursos destroem a natureza e também colocam em risco a vida dos seres humanos. A mudança climática, a extinção das espécies, a erosão da biodiversidade e o desaparecimento da água são alguns indicadores deste ‘ecocídio’”. “O uso de produtos químicos aumentou desde que se introduziu a Biotecnologia. Ao invés de controlar as pragas, os OGM deram lugar à emergência de superpragas e superervas daninhas”.
– Esperava-se que, conforme a criação de bovinos ficasse mais eficiente – ou seja, com os animais ganhando o mesmo peso, mas consumindo menos comida -, seria reduzida a emissão de metano (CH4), gás causador do efeito estufa produzido durante a digestão dos bichos.
Cientistas brasileiros descobriram, porém, que isso não acontece. Bois que engordam facilmente soltam tanto metano quando os comilões.
Calcula-se que o metano seja responsável por cerca de 20% do aquecimento global até agora. Mas o aumento de emissões da molécula preocupa porque seu efeito é dezenas de vezes mais potente que o do dióxido de carbono (CO2), o principal gás-estufa.
A “usina” de metano no organismo dos bovinos é o rúmen, uma das estruturas que compõem o complexo estômago dos ruminantes.
Para “quebrar” as moléculas mais complexas presentes nos vegetais que comem, o organismo dos bichos conta com a ajuda de bactérias que povoam o rúmen. É o metabolismo dos micróbios que acaba produzindo o metano.
Os indícios e os inícios do grande silêncio apocalíptico:
– Ao retornar de sua última travessia no Oceano Pacífico, o navegador profissional Ivan Macfadyen trouxe um alerta assustador:
“Estava acostumado a ver tartarugas, golfinhos, tubarões e muitas aves migratórias. Desta vez, porém, por 3 mil milhas náuticas, não havia nada vivo à vista.” Uma extensão do mar antes vibrante estava assustadoramente quieta, coberta de lixo. Especialistas chamam o fenômeno de colapso silencioso. Embora apenas poucos de nós vejam dessa forma, somos a sua causa: sobrepesca, mudanças climáticas, acidificação e poluição devastam nossos oceanos e dizimam espécies inteiras. Não é apenas a extinção de milênios de maravilhas e belezas, é também o impacto em nosso clima e em toda a vida na terra.
– O trabalho de Krause tem um valor inestimável já que, à medida que florestas são desmatadas e o clima se transforma, boa parte de seu trabalho é composto de sons que não existem mais. “Tudo está mudando por causa do aquecimento global, o nível dos mares e o desmatamento em geral. Metade dos meus arquivos vêm de habitats que ou foram radicalmente transformados pela ação do homem ou já estão em silêncio. Metade desses arquivos você já não pode ouvir de outra forma”, diz.
O silêncio é o som da extinção?
Nos anos 1960, uma mulher chamada Rachel Carson escreveu um livro chamado “A Primavera Silenciosa”, no qual ela explica o que vai acontecer se o mundo natural ficar silencioso por causa do homem. O que eu vejo é que estamos nos aproximando não só de uma primavera silenciosa, mas inverno, outono e verão silenciosos.
Mesmo em uma floresta densa como a da Amazônia, se você cortar apenas algumas árvores ali, as consequências serão sentidas em grande escala pelos animais que ocupam esse lugar há muito tempo. Ou seja, um efeito profundo no som que será sentido muito rapidamente. Nós temos que pensar nas formas como estamos afetando esses lugares e perguntar a nós mesmos se é isso o que queremos, o silêncio do mundo natural. São organismos vivos, essa é a vida de onde viemos, se a aniquilarmos, estaremos destruindo a vida à nossa volta. Essa é a voz divina, as pessoas falam em religiões, mas essa é a voz divina que está implorando por proteção. As nossas vidas dependem dela.
5 – Brasil social
Ajuste já atinge R$ 111 bi e não poupa a área social
A primeira rodada de cortes de gastos, redução de subsídios e elevação de receitas, concluída sexta-feira pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, já configura um pacote de ajuste fiscal de R$ 111 bilhões. O ministro acredita que as medidas anunciadas até agora serão suficientes para garantir o cumprimento da meta de superávit primário de 1,2% do PIB neste ano. Mas deixou claro que, se o comportamento da receita ficar abaixo do esperado, poderão ser necessários novos ajustes. “Fazemos uma avaliação quadrimestral das receitas e despesas. Se for necessário, vamos revê-las”, disse.
Os cortes anunciados na semana passada atingiram inclusive os ministérios da área social. O Ministério da Educação, por exemplo, perderá R$ 14,5 bilhões, 31,1% de suas dotações previstas na proposta orçamentária de 2015, se o corte definido para o primeiro quadrimestre for estendido para o resto do ano. Esse é o valor potencial do corte. O Ministério da Saúde perderá 6,7% de suas dotações – corte relativamente pequeno, pois representa um terço da média de todos os ministérios, de 20,3%. A tesoura não poupou o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, responsável pelo Bolsa Família, que perderá 9,4% das dotações orçamentárias ou R$ 3,1 bilhões se o corte for mantido. O ministério das Cidades, responsável pelo programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), perderá R$ 7,3 bilhões ou 28% de suas dotações iniciais.
– Tendo como base a Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana, o estudo revelou que, em 2014, o rendimento médio das mulheres foi 24,6% inferior ao dos homens – índice praticamente estável em relação ao ano anterior, que ficou em 24,7%. A média salarial masculina foi de R$ 2.093, enquanto a feminina ficou em R$ 1.579.
Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Data Popular, que consultou a opinião de 3.050 pessoas em 150 cidades, 47% dos entrevistados nunca contrataria moradores de favelas para trabalhar em suas casas. Os dados explicitam a segregação social em que vivemos e diz muito sobre o preconceito que a burguesia tem em relação às favelas. A priori, a pesquisa ajuda a estigmatizar mais quem vive em condições precárias de moradia e atende a necessidade da burguesia de observar o comportamento do empobrecidos para intuírem como tirarão proveito econômico da situação.
– A intervenção militar já chegou à periferia
Invasão de casa sem mandado de segurança. Atira para depois saber se tem culpa ou não. Utilização do kit flagrante com arma raspada e drogas ilícitas para alterar a cena do crime. Certeza de impunidade com o uso do autos de resistência para justificar execuções alegando confrontos que não existiram. Formação de grupos de extermínio para proteger os comerciantes locais sem comprometer os acordos com o tráfico. Dura repressão aos populares que se rebelam indignados com as injustiças cometidas pela policia.
A Polícia Militar brasileira está entre as que mais mata no mundo. O Brasil em números absolutos é o pais que mais mata no mundo. Além de ser a 4ª maior população carcerária do mundo. É sempre bom reforçar que as principais vítimas são jovens entre 15 e 29 anos, 70% negros, moradores da periferia.
A quem interessa a intervenção militar?
A sociedade brasileira sempre esteve dividida. Entre os colonizadores e indígenas, entre os senhores de engenho e os escravizados, entre os latifundiários e os agricultores familiares. Essa divisão produziu um dos países mais desiguais do mundo. Onde 0,2 % da população detêm 40,8% da riqueza do país.
– As pequenas inflexões de garantias de direitos sociais e o mínimo de distribuição de renda causam arrepios em uma burguesia acostumada aos privilégios. Privilégios que historicamente são mantidos a base do açoite, da repressão, das expedições bandeirantes, os capitães do mato, jagunços, guarda nacional, força pública, corpos militares de policia e Policia Militar. É completamente distinto como as forças policiais agem nos bairros nobres e nos bairros periféricos. É completamente distinta a abordagem em um cidadão negro e em um cidadão branco, resquícios ainda do racismo científico que pré-determina um suspeito padrão que tem cor e classe social bem definida.
– Cláudia, Amarildo, Douglas, os doze jovens mortos na chacina do Cabula, em Salvador, ou as onze pessoas assassinadas em Belém não lotam avenidas. A mídia tradicional – a mesma que ajudou a organizar e insuflar os atos de ontem – despreza solenemente essa realidade. As grandes massas se enfurecem, de forma legítima, com a impunidade de políticos e servidores públicos corruptos, mas não movem uma palha sequer para contestar a demora da Justiça em condenar policiais assassinos – sobretudo, quando as vítimas são negras e pobres. É a revolta seletiva.
(continua)
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