EDITORIAL – OS REFUGIADOS E A EUROPA

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As simpatias em relação aos refugiados parecem ter aumentado na Europa. Embora continuem a ocorrer manifestações de desconfiança e receio, algumas a enveredar pela xenofobia, de uma maneira geral parece crescer a movimentação de apoio a quem procura a Europa, por não ter condições mínimas de vida (em muitos casos pode-se falar mesmo em sobrevivência) na terra onde nasceu. Particularmente curiosa é a posição de Angela Merkel, que se posiciona agora em campeã do apoio aos refugiados. Inclusive a Alemanha criou um fundo de 6000 milhões de euros para os apoiar (vejam o primeiro link abaixo). Haverá já quem comente que  Angela Merkel está a ser bastante mais generosa para com os refugiados do que tem sido, por exemplo, para com os gregos. E que considere novidade esta abertura.

Os que desaprovam esta atitude manifestam receios sobretudo em relação a dois aspectos. O primeiro, de que o grande número de refugiados esconda eventuais promotores de atentados e de acções violentas nos países que lhes derem abrigo. O segundo, de que será necessário receber adequadamente os refugiados, e para tal, ter-se-á de fazer esforços financeiros e outros, incluindo reservar-lhes postos de trabalho que lhes permitam ganhar a sua vida e integrar-se melhor na sociedade que os recebeu. Este segundo aspecto poderá manifestar-se sobretudo em países onde o desemprego é grande.

Responsáveis alemães falam em receber 500 mil refugiados. O Canadá, o Brasil e o Chile ofereceram-se para receber também refugiados. Mas será preciso referir que, para além das inegáveis intenções generosas que motivam estas ofertas, estas podem ser incluídas também em estratégias de longo prazo de determinados países. O caso mais claro será realmente o da Alemanha. Esta, o país mais populoso da Europa (fora a Rússia), com 82 milhões de habitantes, é também o mais envelhecido, o que pode inclusive comprometer o seu reconhecido desenvolvimento económico. Uma população refugiada jovem pode ser uma ajuda para equilibrar esta situação. A popularidade que Angela Merkel parece ter entre os que chegam será sintomática.

Entretanto, a França e o Reino Unido parece que vão retomar (ou já retomaram) os ataques aéreos na Síria, em articulação com os Estados Unidos. Será de temer que causem ainda mais refugiados. E é duvidoso que consigam algum resultado significativo em termos de acabar com as proezas do chamado Estado Islâmico.

Propomos que acedam aos links seguintes:

http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Internacional/interior.aspx?content_id=4765483

http://www.lemonde.fr/proche-orient/article/2015/09/08/sur-un-plan-militaire-une-coordination-inevitable-avec-les-forces-syriennes_4748620_3218.html

http://www.theguardian.com/world/2015/sep/08/germany-500000-refugees-a-year-clashes-lesbos

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