
Arima
Poema: Eugénio de Andrade (in “Mar de Setembro”, Porto: Imprensa Portuguesa, 1961; “Poesia”, 2.ª edição, org. Arnaldo Saraiva, Porto: Fundação Eugénio de Andrade, 2005 – p. 112-113)
Música: José Peixoto
Intérprete: Quinteto de Maria João* (in LP “Conversa”, Philips/Polygram, 1987)
Uma gaivota — dizes.
Sim, uma gaivota
passa distante e arde.
O teu rosto é azul,
e contudo está cheio
do oiro da tarde.
Uma gaivota.
Alma do mar e tua,
abandona-se à luz.
E na boca nem eu sei
se me nasce o coração
ou é a lua.
