TEXTOS DE REFLEXÃO SOBRE A CRISE NA EUROPA E OS MIGRANTES – 6. OS GRANDES FAZEM E DIZEM NÃO IMPORTA O QUÊ SOBRE OS MIGRANTES – O PAI DA CRIANÇA AFOGADA SERIA PASSADOR? – por JEAN BONNEVEY

refugiados - I

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

refugiados - VI

 6. Os  grandes  fazem e dizem não importa o quê sobre os migrantes

Jean Bonnevey, LES GRANDS N’IMPORTE QUOI SUR LES MIGRANTS, Le père de l’enfant noyé était-il un passeur ?

Revista Metamag, 13  de Setembro de 2015

 

A vontade do poder politico-mediático, poder de conivência, de explorar os dramas dos migrantes para impor aos povos europeus uma sociedade mestiçada de uma vez por todas conduziu a que anda em a fazer  tudo o for preciso  para o conseguir até ao ponto de se poderem  prejudicar gravemente  com esse comportamento. A generosidade ideológica torna-os loucos.

Assim a exploração odiosa de um pequeno cadáver aparentemente deslocado para uma melhor fotografia, ainda não acabou de estar a gerar  reversos da medalha. O admirável  pai, assim mediatizado, que queria ir à Europa para se refazer  dos dentes em muito mau estado, seria talvez um passador. Isto exige ser  verificado.

Abdullah Kurdi, o pai do pequeno Aylan, trazido levado pelas águas, já morto,  para uma praia na Turquia e desde então tornado um símbolo da crise migratória, é acusado de ser ele mesmo um passador. Seria mesmo ele que teria conduzido o barco que navegava em direcção à  Grécia, antes do naufrágio que provocou a morte da sua mulher e das suas duas crianças. Um acumular de mortes, na verdade!

Na  base de uma  tal acusação, há uma mulher, Zainab Abbas, que estava também nesse barco com o seu filho e a sua filha  que também não sobreviveram  à catástrofe. Exprimiu-se para a  televisão australiana. Abdullah Kurdi, pelo seu lado,  negou tudo através do sítio  MailOnline, desde Kobane. “Estou devastado, perdi tudo. E, agora, esta mulher quer arruinar a minha reputação”, tem diz.

Sim mas porque é que o faria ela ? Para estar presente  nos meios de comunicação social, por inveja? Tudo é possível sobretudo quando nada é confirmado para não desperdiçar a força de uma emoção mediatizada. Uma coisa e certa, os djihadistas recrutam entre os migrantes para alimentar as suas fileiras terroristas. O princípio de precaução foi varrido pelo princípio dito de humanidade. Os salafistas alemães recrutam às braçadas de gente. Ninguém não o nega.

Já em Março de 2015, o coordenador da União Europeia para a luta contra o terrorismo, Gilles de Kerchove, tinha apelado  à  agência europeia de controlo das fronteiras, Frontex,  que estivesse vigilante  em face  do risco de infiltração de djihadistas na Europa  que se fazem  passar por  refugiados. “Devemos estar vigilantes. É relativamente fácil penetrar na União europeia quando estes infiltrados se misturam  ao fluxo dos  migrantes”, terá  ele declarado em margem de uma reunião ministerial à Viena.

O Comissário  Kerchove, que se exprimia junto da agência austríaca APA, sublinhou até agora ter evitado evocar o risco de infiltração pelas vias humanitárias, “porque é necessário não confundir tudo ”. “Hoje digo-o: devemos estar vigilantes”, declarou, apelando a uma  sensibilização acrescida das forças Frontex, em especial em face dos  fluxos que vêm da Síria e  do Iraque, mas também da Líbia.

Assim por conseguinte, o coordenador da UE para a luta contra o terrorismo tinha, a partir do princípio de 2015, dados sobre a infiltração do Estado islâmico na Europa  através das  vagas  de imigrantes, e desde então  as nossas fronteiras tem-se aberto ainda muito mais, sem mais nenhum controlo, e quando este existe, certos clandestinos ou refugiados recusam-se  frequentemente eles mesmos a deixarem-se controlar como diversas fontes e vídeos bem o testemunharam. E eles passam mesmo assim.

No  dia em que  um suposto migrante puser  uma bomba na Alemanha, que dirá a chanceler  madona dos sírios e de outros refugiados em  massa? É verdade  também que os homens são ultra majoritários e vários afirmaram  quererem trazer  a sua família o mais rapidamente possível … os refugiados provisórios são obviamente clandestinos de instalação. Quem pode duvidar?

Quando à Patrick Devedjian, tem-se a impressão que já não sabe em que mundo vive. Tudo é é controlado pela imprensa e sobretudo o humor porque  os “eu sou Charlie” não aceitam senão   uma forma de desrespeito, o gauchismo.

Os  alemães “ levaram os nossos  judeus, trouxeram-nos árabes”, afirmou  na sexta-feira o deputado do Hauts-de-Seine, Patrick Devedjian (Os  Republicanos) no que se pretendia ser  uma piada aquando de uma conferência de imprensa na prefeitura de região de Ile-de-France. Devedjian desculpou-se rapidamente num tweet a respeito “desta piada humorística (…)  efectivamente deslocada ”. “Lamento tanto mais que eu próprio organizo o  acolhimento de  infelizes refugiados”, acrescentou.

Demasiado tarde e para  além disso o seu passado vai mais uma vez recuperá-lo.

“Nunca escondi  o meu passado. Sou  de origem arménia e isto era também uma maneira, para mim, de me sentir francês. Era anticomunista e, finalmente, nunca mudei. Empenhei-me na defesa da causa da Argélia francesa. Deixei “Ocidente” em 1966, depois de  ter descoberto Raymond Aron. Este movimento não tinha nada a ver com a extrema-direita de Jean-Marie Le Pen. Era uma outra época, não se pode comparar “.

Certamente   para Ocidente, Le Pen seria um  moderado, um pouco mais  à direita de Pinay. Não se pode comparar e no entanto é o  que se faz durante todo o tempo. Devedjian  talvez   seja engraçado mas se já não faz parte de Ocidente, então permanece completamente a leste da realidade .

Jean Bonnevey, Revista Metamag, 13 de Setembro de 2015, LES GRANDS N’IMPORTE QUOI SUR LES MIGRANTS, Le père de l’enfant noyé était-il un passeur ? . Texto disponível em :

http://www.metamag.fr/metamag-3177-LES-GRANDS-N%E2%80%99IMPORTE-QUOI-SUR-LES-MIGRANTS.html

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