EDITORIAL – OS ABSTENCIONISTAS QUE NÃO VÃO VOTAR E OS QUE QUERIAM VOTAR

No dia de hoje, em que decorrem as eleições legislativas, receia-se que a logo editorialabstenção volte a ser alta. Há uma grande percentagem de cidadãos que deixa na mão dos outros a escolha do seu futuro. Por outro lado, milhares de emigrantes recenseados no estrangeiro foram impedidos de votar devido ao facto de o recenseamento eleitoral ser complexo e não automático quando mudam de residência e o comunicam nos consulados.

 Se, para uns a escolha estava feita e sentiram a obrigação, por estarem contra a continuação do estado em que o país se encontra, de o dizerem pelo voto, para outros, apesar de até poderem ter sido vítimas das medidas implementadas nestes últimos 4 anos, por ideologia, não se vão pronunciar contra. Para quem está no estrangeiro,  é preciso atualizar a morada no sistema informático, presencialmente. Tal facto levou a que boletins de voto tenham sido enviados para moradas antigas. Se ligarmos a isto o facto de os resultados destes  círculos eleitorais (“Europa” e “Fora da Europa”)  não mudarem desde 2002: um deputado pelo PS e um pelo PSD e dois deputados pelo PSD…

Vamos ver se os eleitores traduzem no voto o reconhecimento de que:

– estamos num país muito mais desigual, onde o número de milionários aumentou,

– a generalidade dos trabalhadores trabalha mais a troco de salários mais baixos,

– se cortaram pensões e retiram apoios sociais aos mais pobres, aos desempregados, aos reformados e aos pensionistas,

– se aumentou a carga fiscal para a maioria da população,

– se privatizou quase tudo o que ainda havia para privatizar por quantias baixíssimas,

– se atacou e esvaziou a saúde e a educação públicas.

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