FRONTEIRIÇAS – HISTÓRIAS DO PAMPA E ARREDORES – CASAS ANTIGAS DE SANTANA DO LIVRAMENTO

O CENTRO DE ESTUDOS DE LITERATURA E PSICANÁLISE CYRO MARTINS, fundado em 1997, publicou no seu site um texto de Carlos Alberto Potoko, poeta, jornalista e pesquisador, sobre “Histórias do pampa e arredores”.

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Dele retiramos:

                Na zona da campanha gaúcha, grande parte da riqueza obtida com as exportações foi investida na construção dos espaços públicos e privados urbanos, que utilizou a mão-de-obra escravizada, livre e liberta, nacional e estrangeira, especializada ou não. Na arquitetura edificada, pública e privada, as fachadas foram inspiradas nos modelos historicistas do ecletismo europeu e refletiram o interesse das administrações e das elites em se vincular ao desenvolvimento e progresso dos grandes centros.

                E assim a arquitetura da nossa cidade se assentou eclética com barroco colonial. Com formas e conceitos de vários estilos, principalmente do neoclássico, usando-os de forma mais livre se construiu aqui na época, mais ou menos a partir da elevação de Livramento a categoria de cidade em 1876 até os anos 1950. Nos anos 1920, os prédios que compõem o conjunto arquitetônico ao longo da Rua Dos Andradas, onde funcionaram bares, restaurantes e comércio, ainda carregam rastros nas fachadas de elementos ornamentais, como as compoteiras (parecidas com vasos), capitéis (arremates das colunas), medalhões e faixas e até pequenas estátuas nos peitoris das fachadas. Essa arquitetura chegou a Livramento pelo Uruguai através dos imigrantes espanhóis, franceses, italianos e ingleses, onde na época, nossas cidades geminianas foram urbanizadas por agrimensores uruguaios, o que marcou o traçado antigo até hoje reticulado na conturbação, fenômeno este que ocorre quando duas ou mais cidades se desenvolvem uma ao lado da outra. Nossas cidades tiveram sua urbanização, por volta de 1850 a 1900 seguindo a lei das índias de 1573, as ordenanças espanholas e o código de postura da nossa cidade da época. A partir dos anos 1940, predominou a arquitetura neoclássico, a qual chegou no Brasil no fim do século 19. Caracteriza-se pelas fachadas ricas em detalhes, com proporção entre os elementos, os capitéis no estilo jônico e dórico, as compoteiras e os balaústres (pequenas colunas em formato que lembram garrafas).

A característica principal eram os frontões que reforçavam de arco imaginário a simetria presente das fachadas. Os capitéis presentes nas pilastras ou colunas que intercalavam os vãos inspirados nas ordens da antiguidade clássica greco-romana. Estas pilastras provocavam ritmo e destacavam a divisão tripartida dos módulos que compunham os edifícios. As aberturas, tanto janelas, portas, sacadas eram arrematadas com bandeiras o que possibilitavam uma maior ventilação para insolarar os ambientes internos e possuíam vergara reta ou em arco pleno. Sobre elas, nos vãos muitas vezes eram emolduradas por frontões gregos ou recortados. Festões, rocalhas, medalhões ou cartelas, algumas vidraças eram enfeitadas com frisos, monogramas ou elementos florais. Os balcões e guarda-corpos eram trabalhados em ferro ou cimento armado com pellets de mármore. Alguns prédios decoravam espaços vazios para jardins, escadarias, pórticos ou varanda. Muitos projetos e faixas decorativas das casas de Livramento e Rivera eram assinadas pelo arquiteto Dalmiro da Cruz de Montevideo.

Pode continuar a ler em: http://www.celpcyro.org.br/jo

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