OLHARES SOBRE A HISTÓRIA – ARDEM FOGUEIRAS HUMANAS… – por JORGE LÁZARO

Saltimbancos

 

 Fogueiras humanas

Entrechocam-se gargalhadas de gozo e satisfação com gritos desesperados de sofrimento e dor. Nas bancadas, montadas para a assistência ora no Rossio, ora no Terreiro do Paço, vêem-se pessoas de todas as condições sociais, incluindo o próprio rei D. João V.

Os réus são acusados pela Inquisição de comportamentos cada vez mais banais. Além dos crimes contra a religião, que abarcavam o Judaísmo, a blasfémia ou coisas tão simples como ter em casa um crucifixo coberto de pó, qualquer pessoa podia ser acusada de superstição, bruxaria, exercício de falsa medicina, homossexualidade, etc..

A Inquisição exercia, então, o mesmo papel que desempenhou a PIDE, no tempo da ditadura do auto-designado Estado Novo. Controlava tudo e todos, acusava sem ter de provar, eliminava todos os que eram críticos do regime.

Ao longo dos 43 anos do reinado de D. João V, realizaram-se, em Lisboa, 27 Autos de Fé, tendo perecido na fogueira 137 homens e mulheres (média anual superior a 3).

Entre eles, conta-se o escritor António José da Silva, conhecido, como o Judeu.

No reinado do pai de D. João V, tinha sido queimado vivo António Ferreira, réu confesso do roubo da igreja de Odivelas, um pobre “diabo” a quem chamavam  “pilha galinhas”.

A Inquisição só em 1821, em consequência da Revolução Liberal, deixou formalmente de existir.

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