Cavaco é um presidente de facção – tudo por si e pelos seus.
Por acaso cronológico exerce num tempo de democracia (embora imperfeita) mas, intrinsecamente, por impulso e instinto, é um autoritário, filosoficamente um neo-salazarista.
Pudesse e seria partidário do partido único ou da sua união nacional tolerando apenas outros partidos menores e satélites do principal.
Usando o fato presidencial, papagueou os mesmos argumentos que os dirigentes e acólitos da direita, todo eles, vinham a repetir para justificar que a legitimidade da governação é limitada aos escolhidos e ungidos e dela devem ser excluídos os hereges – custe o que custar.
(Curiosa a insistência, como razão de apartheid político, no argumento do respeito dos tratados internacionais – e a NATO senhores?. Também a antiga URSS e os dirigentes dos países satélites a ele recorriam invocando a pertença e obrigações do Pacto de Varsóvia.)
Uma coisa, aceitável, seria a indigitação do líder do partido com maior número de mandatos a ver se ele tinha capacidade de obter o apoio necessário a governar. Outra diferente, inaceitável, é pretender que só ele tem direito e legitimidade para isso.
O seu discurso foi uma declaração de guerra à esquerda e ao PS, digna dum chefe de milícia a arregimentar tropas para destruir o inimigo.
Aumentou a responsabilidade à esquerda e para a esquerda da esquerda.
A esquerda da esquerda tem de perceber que não se lhe pede que faça a revolução mas que trave a reacção. Não pode ser ela a dar o pretexto para que não haja uma alternativa de governo. Há que dar, também, a oportunidade ao PS – sem lhe pedir mais que o que pode dar – de mostrar que consegue ser, de facto, centro-esquerda.
Depois do assalto da direita radical ao poder, nos últimos anos, a urgência é a de um governo de normalidade democrática, conduzido com base nos princípios do bem comum e da justiça social, que melhore as condições de vida das pessoas, que promova o emprego e o rendimento, que pare a destruição da economia e produção nacional, sem salpicos de corrupção ou tráfego de influências.
A solução da esquerda pode ter por foco um denominador mínimo mas tem de ser eficaz; a governação não pode falhar, tem de cumprir e mostrar que sabe fazer a diferença para a vida das pessoas.
PS, PCP e BE têm a oportunidade de conciliar a população com o país e a política. Que não a desperdicem prolongando a negociação para ganharem mais qualquer coisinha, para terem mais uma bandeira para exibir. Exige-se-lhes que estejam à altura.
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O que eles não aceitam é ver a População satisfeita com uma mudança política. Que tudo seria conforme as suas vontades. Mais salazaristas que o salazar. Acabou o governo da direita tal como, anos atrás, “obviamento o demito”. CLV
Mais salazaristas que o salazar era difícil.
Acabou o governo de direita tal como, anos atrás, “obviamento o demito”. CLV