CARTA DE LISBOA – Cavaco, o cabo-de-esquadra – por Pedro Godinho

lisboa

Cavaco é um presidente de facção – tudo por si e pelos seus.

Por acaso cronológico exerce num tempo de democracia (embora imperfeita) mas, intrinsecamente, por impulso e instinto, é um autoritário, filosoficamente um neo-salazarista.

Pudesse e seria partidário do partido único ou da sua união nacional tolerando apenas outros partidos menores e satélites do principal.

Usando o fato presidencial, papagueou os mesmos argumentos que os dirigentes e acólitos da direita, todo eles, vinham a repetir para justificar que a legitimidade da governação é limitada aos escolhidos e ungidos e dela devem ser excluídos os hereges – custe o que custar.

(Curiosa a insistência, como razão de apartheid político, no argumento do respeito dos tratados internacionais – e a NATO senhores?. Também a antiga URSS e os dirigentes dos países satélites a ele recorriam invocando a pertença e obrigações do Pacto de Varsóvia.)

Uma coisa, aceitável, seria a indigitação do líder do partido com maior número de mandatos a ver se ele tinha capacidade de obter o apoio necessário a governar. Outra diferente, inaceitável, é pretender que só ele tem direito e legitimidade para isso.

O seu discurso foi uma declaração de guerra à esquerda e ao PS, digna dum chefe de milícia a arregimentar tropas para destruir o inimigo.

Aumentou a responsabilidade à esquerda e para a esquerda da esquerda.

A esquerda da esquerda tem de perceber que não se lhe pede que faça a revolução mas que trave a reacção. Não pode ser ela a dar o pretexto para que não haja uma alternativa de governo. Há que dar, também, a oportunidade ao PS – sem lhe pedir mais que o que pode dar – de mostrar que consegue ser, de facto, centro-esquerda.

Depois do assalto da direita radical ao poder, nos últimos anos, a urgência é a de um governo de normalidade democrática, conduzido com base nos princípios do bem comum e da justiça social, que melhore as condições de vida das pessoas, que promova o emprego e o rendimento, que pare a destruição da economia e produção nacional, sem salpicos de corrupção ou tráfego de influências.

A solução da esquerda pode ter por foco um denominador mínimo mas tem de ser eficaz; a governação não pode falhar, tem de cumprir e mostrar que sabe fazer a diferença para a vida das pessoas.

PS, PCP e BE têm a oportunidade de conciliar a população com o país e a política. Que não a desperdicem prolongando a negociação para ganharem mais qualquer coisinha, para terem mais uma bandeira para exibir. Exige-se-lhes que estejam à altura.

Relacionado:

A importância de ser Cavaco

2 comments

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    O que eles não aceitam é ver a População satisfeita com uma mudança política. Que tudo seria conforme as suas vontades. Mais salazaristas que o salazar. Acabou o governo da direita tal como, anos atrás, “obviamento o demito”. CLV

    Gostar

  2. Carlos A P M Leça da Veiga

    Mais salazaristas que o salazar era difícil.
    Acabou o governo de direita tal como, anos atrás, “obviamento o demito”. CLV

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: