GONÇALO M. TAVARES NO ENCONTRO DA “CASA DA PRAIA” – O QUE É CUIDAR DO OUTRO?

O escritor, Gonçalo M. Tavares e o professor universitário Gonçalo Tavares, dois num só, esteve presente no Encontro comemorativo dos 40 anos de existência do Centro Doutor João dos Santos – Casa da Praia que se realizou no dia 22 na Fundação Calouste Gulbenkian.

Gonçalo M.Tavares partilhou com os presentes algumas reflexões.

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O ser humano é muito desajeitado, o bebé quando nasce é um ser que para sobreviver, necessita do outro, necessita que haja um outro que tenha o instinto de “cuidar do outro”. A espécie só existe porque existe o sentimento do “cuidar do outros”, numa espécie de acto amoroso. No desenvolvimento normal este é composto por duas partes: o cuidar de si e o cuidar do outro. As pessoas que trabalham na Casa da Praia serão cuidadores que prolongam o cuidado anteriormente prestado às crianças, cuidado muitas vezes falhado.

O que é a saúde? Será só a ausência de doença? Ou será antes a definição da Organização Mundial de Saúde: aquela se refere ao bem estar físico, mental e social. Bem estar social? Sim, mas é uma definição que não entrou nos nossos dias, em épocas em que nem existem ainda, ou cada vez menos, as condições concretas para que se possa ter um bem estar físico…

Realçou o exemplo do sedentarismo, que considera ser o físico, o mental e o social. Nos discursos e nas preocupações sociais, só o primeiro, o físico, aparece como preocupante, com as exigências com o coro, com as alimentações adequadas. E o sedentarismo mental, aquele que leva a que se passe horas e horas em frente à televisão e nem se faça nenhuma actividade que implique de facto o pensar (ex: ler um livro, ver uma exposição, refletir em conjunto numa tertúlia sobre um tema qualquer)? Acrescente-se o sedentarismo social, o atinge aqueles que se não relacionam com novas pessoas e com tudo o que isso trará de novo e de novo conhecimento.

Deixou, ainda, reflexões sobre a “difícil tarefa de aliar a competência na era da técnica”. Como é que podemos ser humanos e competentes simultaneamente? Um desafio a todos.

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