OLHARES SOBRE A HISTÓRIA – CAPELA SISTINA – PINTURAS DE MIGUEL ÂNGELO – JUÍZO FINAL – 1541 – por JORGE LÁZARO

Saltimbancos

 

CAPELA SISTINA – PINTURAS DE MIGUEL ÂNGELO

JUÍZO FINAL – 1541

 Capela Sixtina

Juízo Final                                                          Cristo e a Virgem

 

Vinte e dois anos após a conclusão da pintura do tecto da Capela Sistina, e quando Miguel Ângelo contava já 60 anos de idade, foi chamado, de novo, a Roma, pelo papa Paulo III para pintar a parede do fundo do altar mor. Tentou recusar o convite, mas o papa insistiu tanto que o pintor acabou por ceder. A obra, O Juízo Final, na qual trabalhou mais de 5 anos e cobre uma área de 167 m2, foi apresentada em Outubro de 1541.

Toda a cena do Juízo Final converge na figura de Cristo, supremo juiz. Com seu corpo juvenil, ele irrompe de um círculo de luz. O movimento circular do seu gesto poderoso impulsiona um remoinho que lança, à direita os condenados para baixo e levanta, à esquerda, os eleitos para cima. “O resultado é um cataclismo cósmico: uma confusão de corpos de proporções heróicas e paixões torturantes”.

Ao lado de Cristo, está a Virgem, de olhos baixos, numa atitude compassiva, envolta em  tristeza.

À direita e à esquerda, a multidão de santos e eleitos. As suas figuras são leves e arejadas, parecem não ter peso. Ao invés, os condenados são feios e agitam-se violentamente. Dirigem-se para a boca do Inferno onde os esperam os demónios com focinhos de porco.

 Esta pintura distingue-se dos frescos anteriores “pelo tom geral de pessimismo e angústia. (…) Transmite uma sombria concepção da vida humana  e uma profunda resignação.”

O artista incorporou “o seu angustiante auto-retrato” entre os pecadores.

 

Jorge Lázaro.  8 de Outubro de 2008

                                                                   

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