CARTA DE LISBOA – Um governo islandês para Portugal – por Pedro Godinho

lisboa

Hoje tomou posse o governo que se espera não dure.

A troika Passos, Portas e Cavaco já fez mal que baste, às pessoas e ao país. Sem que, ao menos, passado o período do sofrimento e empobrecimento, se possa dizer que estamos melhor, as pessoas e o país.

Só a continuação dos cortes sem fim escondem o falhanço, mesmo nos objectivos (discutíveis) que eles próprios (ou os seus mandantes, com a sua aceitação entusiasta) fixaram.

O novo governo PP da (velha) direita cairá. Até onde irá, em sua defesa, o outro PP (o Presidente Pateta) está por saber – sendo embora de desconfiar que na sua iliteracia e mediocridade não sairá sem estragar mais algo.

A esquerda diz que desta vez é para valer, que terá um acordo para um governo alternativo. Que já tarda.

Nesta altura, contentava-me com um governo islandês, à islandesa.

A Islândia da qual não (ou muito pouco) se fala, como se não existisse, como se não tivesse mostrado que há outros caminhos. Que mostrou como ultrapassar a crise económica e financeira, sem se limitar a usar as pessoas para salvar os bancos – que na sua gula quase a enterraram.

A Islândia que recusou os remédios troikianos que a tentaram forçar a engolir, contra vontade, que julgou e puniu responsáveis por fraude e abuso, que atacou de frente a corrupção, que deu voz (e força) democrática aos cidadãos, que se preocupou com a soberania e as pessoas, com o emprego e as condições de vida, que usou as privações mas orientou-as para a recuperação e o bem comum. Que melhorou a economia e a vida em sociedade.

Na situação que vivemos não é um governo ideológico que nos falta.

Um governo democrático, sério, independente – islandês – precisa-se para Portugal.

P.S.: A Islândia não é um perigoso satélite vermelho, foi um dos países fundadores da NATO, é membro do FMI e do Banco Mundial. Não abdicou, por isso, de decidir em causa própria, não se submeteu ao diktat dos mercados e dos germanos. E, parece, está a sair-se bem melhor que os da TINA. Há sempre alternativa, basta querer, seriamente, procurá-la.

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Terminas com chave de ouro. Basta querer e, sobretudo, recusar o estatuto de escravo. A OTAN e a UE são, apenas, tigres de papel. CLV

    Gostar

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