OLHARES SOBRE A HISTÓRIA – O DIÁRIO DE ANNE FRANK – por Jorge Lázaro

Saltimbancos

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O diário de Anne Frank

Anne Frank

 “Espero poder confiar inteiramente em você, como jamais confiei em alguém até hoje, e espero que você venha a ser um grande apoio e um grande conforto para mim.” Assim, Anne Frank inicia o seu famoso diário, que ela escreveu no esconderijo, que ficava na casa de trás (1942 a 1944).

Oferecido pelo pai no dia do seu aniversário, a jovem deu ao diário o nome de Kitty. Kitty era sua única amiga dentro do Anexo Secreto.

Inicialmente, o diário começa por ser uma descrição de eventos normais na vida de qualquer adolescente, descrevendo mais tarde as suas condições de vida após mergulhar: a angústia permanente, o medo de serem descobertos, a comida escassa, a nova rotina, a que tiveram que se submeter (no horário laboral no escritório apenas podiam comunicar por sussurros, nunca podiam utilizar a casa de banho); e contudo, está sempre presente o reconhecimento da coragem dos amigos não – judeus (antigos empregados do pai), que não hesitavam em ajudá-los, mesmo arriscando a vida: “Nunca deixam transparecer que somos um fardo – e não há dúvida que somos – nunca se queixam das maçadas que estamos a causar. Todos os dias sobem até aqui, falam com os homens sobre o negócio e a política, com as senhoras sobre as dificuldades do governo da casa e connosco, os jovens, sobre livros e jornais. Entram sempre de cara satisfeita, não se esquecem, nos dias de festa das flores e das prendas e estão sempre prontos a ajudar. Não devemos esquecer nunca, apesar de todas as heroicidades dos campos de batalha e de toda a luta contra os opressores, os sacrifícios dos nossos amigos, aqui, junto de nós, as provas diárias de simpatia e amor!”

Em Abril de 1944, Anne ouve na rádio que a Rainha Guilhermina deseja que, no final da guerra sejam escrita crónicas sobre este período histórico. Entusiasmada, decide reescrever o diário, desejando publicar parte dele. Pretende contar a sua vida no esconderijo e dar-lhe o título “A casa das traseiras” (Het Achterhuis).

No dia 4 de Agosto de 1944 a Polícia de Segurança alemã, acompanhada por alguns holandeses nazistas, deu uma batida no escritório geral, obrigando Kraler a revelar a entrada para o Anexo Secreto. Todos os seus ocupantes, assim como Kraler e Koophuis, foram presos.

Anne Frank - II

Alguns dias depois, misturados aos jornais velhos e lixo espalhados pelo chão, um limpador encontrou os cadernos onde Anne escrevera seu diário. Não sabendo do que se tratava, entregou-os a Miep e Elli. As duas jovens, durante um severo interrogatório alemão a que foram submetidas, negaram terminantemente sua ajuda ao pequeno grupo judeu, e assim foram libertadas e salvas. Tendo guardado cuidadosamente o diário de Anne, entregaram-no ao seu pai, Otto Frank, na sua volta, após o fim da guerra.

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