FRATERNIZAR – Está de volta a Semana dos Seminários – SACERDOTES OU PRESBÍTEROS? – Com um alerta às mães, pais dos acólitos – por Mário de Oliveira

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Chega a ser patético o apelo dos bispos diocesanos portugueses aos seus fiéis súbditos, para que se desdobrem em iniciativas destinadas a tentar Deus, o dos sacerdotes, não o dos povos, que não vai nesse tipo de coisas. Estão aos papéis, porque cada vez há menos vocações para o sacerdócio e eles correm sérios riscos de acabarem generais eclesiásticos sem oficiais. Tropas-populações, ainda há muitas, pese embora a emigração em crescendo. Por isso os refugiados são bem-vindos para repovoar aldeias do interior, já desertas de pessoas. O problema é que os refugiados são quase todos muçulmanos e não alinham nestas coisas dos cristãos católicos. O Deus deles é outro e outros são os seus líderes, que a feira das religiões está em crescente aumento, ou não sejam elas uma fonte de enriquecimento. As populações são mantidas em estado infantil, culturalmente, subdesenvolvidas e não dispensam o ópio, em doses cada vez maiores. Por toda a vida, especialmente, quando as forças já lhes começam a faltar, devido à idade avançada ou a doenças graves.

Por enquanto, ainda não há falta de vocações para bispo, nem que seja só na categoria de bispo auxiliar do titular duma diocese. Só rareiam as vocações para sacerdotes. E, sem vocações, tão pouco há sacerdotes. Quem diz sacerdotes, diz párocos. Não diz presbíteros. Não há párocos novos que substituam os que a morte torna definitivamente invisíveis, não como sacerdotes, obviamente, mas como seres humanos que somos todos por nascimento. Porque isto de sacerdotes é coisa deste tipo de mundo do poder que desconhece por completo o Humano, os seres humanos. Perante tamanha carestia de sacerdotes para as paróquias, vale tudo, até tentar Deus. É preciso convencê-lo a dar sacerdotes à sua igreja. Só que o Deus dos sacerdotes é surdo. De ano para ano, crescem os clamores, mas diminui o número dos sacerdotes. Morrem mais do que são ordenados.

Por este andar, não vem longe o dia em que só há bispos, alguns diáconos casados que não sabem nas que se metem, quando, aliciados pelos bispos residenciais, aceitam ser ordenados diáconos. Como são casados, não podem aceder ao sacerdócio ordenado, privilégio exclusivo dos que têm “vocação” ao sacerdócio e ao celibato. Só que não há celibato por vocação, quando o que funciona é o celibato imposto por lei eclesiástica, anti-natura. Isto de constituir família é, para o catolicismo romano, coisa menos pura, a modos de feia. Os sacerdotes casados não podem fazer as vezes de Cristo nos altares, coisa exclusiva dos sacerdotes celibatários.. Ninguém sabe bem o que significa fazer as vezes de um mito, no caso, do mito Cristo, mas a doutrina do Credo de Niceia-Constantinopla é assim que diz. E a doutrina, para os institucionais do poder, vale mais do que a realidade.  De modo que os diáconos casados são uns meros ajudantes dos párocos. Mais graduados que os não-ordenados, mas meros ajudantes. Uma espécie de acólitos de grau mais elevado. Não mais do que isso.

Alguns bem se esforçam e põem-se em bicos de pés a reclamar mais liberdade e mais protagonismo no exercício do diaconado casado, mas de nada lhes vale. Os párocos, seus “patrões”, fazem orelhas moucas para o que dizem, e olhos cegos para o que escrevem. Para lá do serviço nos altares, não nas Mesas compartilhadas, como deveria ser, do acto de presidir a alguns funerais e casamentos que o pároco não pode ou não quer presidir, pouco mais lhes é permitido fazer. A frustração é mais do que muita. Mas eles lá aceitam manter-se naquilo, sem qualquer sentido para um homem casado e com profissão de responsabilidade. Para cúmulo, vestidos com aquelas roupas dos séculos passados, de todo desajeitadas e inadquadas, tipo pronto a vestir, a cheirar a mofo como velharias que raramente são penduradas ao sol e ao vento. Apenas quando saem dos velhos gavetões das sacristias e daí passam ao altar nos corpos deles, sobretudo, na Sé catedral de cada bispo residencial. Nessa altura, o ego dos diáconos casados sobe uns pontos mais, mas é notório que estão ali praticamente apenas como a corte que faz sobressair cada bispo titular, auto-assumidos como o sumos sacerdotes, não como bispos.

A Semana dos Seminários aí está mais uma vez. O calendário dita e exige. E faz-se. De 8 a 15 de Novembro. Este ano, com o mote, “Olhou-os com misericórdia…”. Um mote propositadamente vazio de conteúdo. Como vazio é tudo o que sai das igrejas cristãs que são um mundo à parte, paralelo com o da Humanidade, dos Povos. Com a agravante de que os seus membros, sobretudo, os seus sacerdotes, se têm na conta de que são os melhores no mundo. Os eleitos de Deus, o dos sacerdotes, obviamente. Não o dos Povos, que não faz acepção de pessoas e não gosta de sacerdotes. Este ano, multiplicam-se as orações, as rezas, as horas de adoração, diante do santíssimo sacramento. A pedir ao seu Deus que se meta em brio. Ou leva muitos jovens a querer ser sacerdotes, ou está condenado a não ter quem lhe preste culto, presida àqueles ritos religiosos nos templos, de costas voltadas para o mundo. Só que o Deus dos sacerdotes não existe, senão como mera projecção dos próprios. E todos acabarão como aqueles sacerdotes do Deus Baal bíblico que Elias, sadicamente assassinou. Por mais se danem, ele não lhes vem valer.

Mas, alerta, mães, pais. Que a Semana dos Seminários, este ano, aponta explicitadamente para os chamados acólitos que, ingenuamente, servem aos domingos nos altares. São filhos vossos que vós obrigastes a frequentar as catequeses das paróquias de residência. Os dinamizadores da Semana dos Seminários mandam os párocos apostar tudo nos acólitos, para aliciiá-los a frequentar os seminários e, na idade canónica, serem ordenados sacerdotes. De acólitos a sacerdotes. Uma vida inteira em redores de altares, a fazer de Cristo, um mito que faz esquecer Jesus, o filho de Maria, que nunca foi, nunca é sacerdote. Até foi condenado e assassinado na cruz do império romano pelos sacerdotes do judaísmo. Cujo, desde o ano 70 desta era comum, nunca mais quis sacerdotes, nem templos. Em seu lugar, ficou o cristianismo, para mal da Humanidade. Não para bem. Porque até o bem-fazer que as igrejas cristãs fazem e promovem, é uma recusa a fazer o bem. Elas sabem que fazer o bem liberta e promove as populações. Enquanto o bem-fazer as anestesia e desmobiliza politicamente.

Saibamos que ninguém é ordenado sacerdote. Somos, alguns de nós, ordenados presbíteros e bispos. Lá está, claríssimo, o Ritual da ordenação. Chama-se, em latim, “Presbiterorum Ordo”, Ordem dos Presbíteros. Ser Presbítero é bom para os Povos. Ser Sacerdote é mau para os Povos. Os presbíteros são seres humanos maduros, maiêuticos, em tudo iguais aos demais seres humanos, excepto na idolatria. A do Dinheiro e a religiosa. Já os sacerdotes são clérigos, isto é, separados dos outros, superiores aos outros, e praticantes da idolatria religiosa e, quase sempre, também da idolatria do Dinheiro. Alerta, mães, pais. Se tendes filhos acólitos aconselhai-os a deixar-se dessas coisas, antes que os poucos sacerdotes-párocos que ainda há nas paróquias os convençam a fazer-se sacerdotes também. Não, mães, pais. Não tireis do mundo os vossos filhos. Fazei-os crescer no mundo, mas sem nunca serem dele. Objectivo difícil, é verdade, mas o único que vos dignifica como mães, pais, na peugada de Jesus, o filho de Maria.

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