FRATERNIZAR – PADRE LEONEL DEFINITIVAMENTE VIVENTE! – O PRESBÍTERO QUE D. ANTÓNIO FERREIRA GOMES NÃO ACOLHEU – por Mário de Oliveira

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Acaba de se tornar definitivamente invisível, porque definitivamente vivente o Presbítero Leonel, mais conhecido por “Padre Leonel”. O que a diocese do Porto fez com ele, no decurso do seu ser-viver histórico, é eclesialmente obsceno. Humanamente, iníquo. Mostra bem que é poder. Totalmente, seguidora do Código de Direito Canónico (CDC), em lugar de (pros)seguidora do Evangelho de Jesus. CDC e Evangelho de Jesus são contraditórios. Onde se pratica um, não se pratica o outro. Duas linhas paralelas que nunca se encontram. Por mais que o papa de turno, hoje, o papa Francisco, diga que sim, não é verdade. Como não é verdade que o papado decorra do Evangelho de Jesus. Nem é verdade que a igreja católica romana e as igrejas protestantes sejam criação de Jesus. Muito menos, o cristianismo de Pedro-Paulo-Constantino imperador. Andam todas elas a dizer que sim, mas todas mentem. Grosseiramente. Porque, neste século XXI, têm obrigação de saber que mentem. Pode durar milénios, mas é sempre mentira. Não há que enganar. Pelos frutos se conhece a árvore. É de Jesus.

Bastaria o ser-viver presbiteral do Pe. Leonel para prová-lo. Agora, que ele já vive, entre nós e connosco, para lá da comum condição de visibilidade hsitórica, pode e deve dizer-se, alto e bom som, que a Diocese do Porto, presidida, ao tempo, por D. António Ferreira Gomes, autocrático, q.b. foi incapaz de acolher e aproveitar a espantosa mais-valia do seu ser-viver presbiteral. A forma como lidou com ele, revela à saciedade que toda e qualquer diocese é um modelo de igreja muito mais romana do que católica, muito mais cristã do que jesuânica. Pode correr e saltar. Repetir missas, dia e noite, conceber projectos pastorais e pô-los em prática, manter catequeses de crianças e de adultos, peregrinar a Fátima, a Jerusalém, a Roma, a do papa, de nada lhe adianta. É poder. E o poder é sempre poder. Inimigo do Humano. Se eclesiástico, sagrado, tanto pior. Só por o ser-viver presbiteral do Pe. Leonel ter posto esta perversão a nu, já valeu a pena ter nascido e vindo ao mundo, no dia 9 de maio 1934, em Freamunde. Uma povoação, como toda e qualquer paróquia, possessa da ideologia-teologia do cristianismo, inimiga da Liberdade, da Autonomia, da Responsabilidade, do Protagonismo histórico de cada Eu-sou, único e irrepetível.

Bastou que o menino crescesse e, depois de 12 anos de formatação nos vários edifícios do Seminário do Porto, fosse ordenado Presbítero da igreja-movimento de Jesus para ser dado ao mundo. Pouco tempo depois da ordenação de presbítero, a Diocese do Porto quis fazer dele um clérigo seu, atento e reverente. Só que não foi para isso que Leonel Barnabé foi ordenado Presbítero. Aos Presbíteros, como aos Bispos, cabe-lhes o imperativo ético de Evangelizar os pobres e os povos. Não ficarem reduzidos a clérigos, à parte dos demais, funcionários eclesiásticos. Evangelizar é preciso. Ser clérigo não é preciso. Felizmente, o Presbítero Leonel depressa percebeu a diferença e não se deixou amarrar-castrar pelo sistema diocesano, uma empresa mais de serviços religiosos, de todo estranha a Jesus, ainda que muita cara a Cristo, ou Jesuscristo, o de Pedro-Paulo-Constantino imperador e dos papas de Roma, seus sucessores. A diocese não lhe perdoou. Foi, é incapaz de alguma vez perceber o Humano, quando só se ocupa com um mítico divino que nem ela sabe o que é. Porque a Deus nunca ninguém o viu (João 1, 18). E, em Jesus, o filho de Maria, todas, todos pudemos-podemos perceber que até o próprio Deus não é divino, mas Humano. O infinitamente Humano. A Omnifragilidade humana. Para que todas e cada uma de nós, suas filhas, todos e cada um de nós, seus filhos, sejamos também plena e integralmente Humanos uns com oss outros. Nada mais do que isso. E isso é tudo o que há de mais belo, de mais sublime na História.

Não bastou o que lhe fizeram em vida histórica. Agora, que se tornou definitivamente vivente, até a boa notícia da sua páscoa definitiva não coube nos acanhados espaços do semanário da Diocese, VP-Voz Portucalense. O que o semanário trouxe a público, na sua edição de 4 de Novembro 2015, é apenas o canonicamente permitido. Melhor fora, por isso, que o semanário tivesse feito silêncio. Teria estado muito mais à altura da estatura, da idade, da sabedoria e da graça que é o ser-viver presbiteral do Pe. Leonel entre nós e connosco. O que o semanário escreve silencia precisamente tudo o que de belo e sublime é o seu ser-viver presbiteral. Concretamente, limita-se a referir a data da ordenação, 30 de agosto de 1958, mas silencia que a ordenação foi de Presbítero. Pelos vistos, ser presbítero é um estado de vida proibido na Diocese do Porto e nas outras todas, iguais ou até piores do que a do Porto. Adianta depois que Leonel “foi encarregado da Fundação [sic com maiúscula] da paróquia do Padrão da Légua, em Matosinhos, lançando a comunidade que deu origem à actual paróquia.” Não diz uma única palavra sobre o que lhe fizeram nesse período, os boicotes, as arruaças, as ameaças, a crescente desautorização do bispo D. António Ferreira Gomes, recém-regressado do “exílio” dourado de 10 anos, com salário mensal garantido pela diocese do Porto, de que continuava titular. Tudo isso, por de mais evangelicamente relevante, é totalmente silenciado pela VP, como é sistematicamente silenciado nas suas páginas o Evangelho de Jesus. Só mesmo o Evangelho de S. Paulo tem lá lugar.

Se tudo isso é silenciado pela VP, também é silenciado tudo o que o bispo D. António, do alto da sua cátedra episcopal, deliberou acerca do incómodo vivo e activo chamado Pe. Leonel. Deixa-o, anos e anos, na prateleira eclesiástica, criminosamente, desaproveitado. VP, na pessoa dos seus principais responsáveis, sabe bem o que lhe fez o então bispo do Porto, com fama de amante da Liberdade. Mas sabe também que só o canonicamente reconhecido é objecto de notícia, de registo, para memória futura eclesiástica. A realidade histórica que extravassa o canónico simplesmente não existe. Nega, por isso, a verdade, conhecida por tal. O que perfaz um dos pecados sem perdão, no hiperbólico dizer de Jesus, o de antes do cristianismo. Limita-se, por isso, a silenciar todos esses anos, precisamente, os da plena maturidade presbiteral, os únicos que merecem registo, porque os únicos que duram para sempre na memória da Humanidade. Salta, de imediato, para outra função eclesiástica, atribuída, muitos anos depois, por um dos sucessores de D. António Ferreira Gomes, concretamente, a pequena Capela de Fradelos, no Porto, “onde se responsabilizou pelo Centro Catecumenal diocesano e onde acompanhou grande número de cristãos por ele conduzidos ao Baptismo”. Diz ainda que “foi colaborador assíduo da Voz Portucalense ao longo de vários anos, com a local a que deu o título de «Actos e actas».

Os anos de padre operário e todo o ser-viver do Presbítero Leonel que soprou forte e fecundo do alto da Serra do Pilar, na Comunidade não-paroquial, dinamizada e coordenada por outro Presbítero, Arlindo, de seu nome, são totalmente silenciados na VP. De resto, a própria Comunidacde da Serra do Pilar teve sérias dificuldades em acolher-praticar semelhante sopro, com muito da Ruah de Jesus Nazaré, que nem o próprio Pe. Leonel terá chegado a dar-se conta de que é o Sopro outro, nos antípodas do sopro do poder, também do eclesiástico-cristão, e que ninguém sabe de onde vem, nem para onde vai. Tivesse alcançado esse nível de consciência presbiteral, e teria deixado escrito ou manifestado de viva voz a expressa vontade de que o cadáver dele, que já não é ele, fosse transportado directamente para o cemitério e semeado na terra, sem a interferência de nenhum rito religioso-eclesiástico, à semelhança do que historicamente sucedeu com o cadáver de Jesus, em Abril do ano 30. Mais. Teria exigido que não tivesse a presidência de nenhum clérigo, muito menos, do actual bispo da diocese, por sinal, também António. O qual, onde chega, e só porque é bispo-poder,e não bispo simplesmente, sempre rouba a voz e a vez a todos os mais presentes. E, no caso presente, até roubou a voz e a vez ao próprio Presbítero Leonel, definitivamente vivente. O único que verdadeiramente preside ao funeral do seu cadáver, e anuncia, com o seu silêncio, o Evangelho de Jesus, razão de todo o seu ser-viver presbiteral. Assim nem se chegou a dar pela presença dele, só do cadáver que já não é ele. Deste modo, depois de tudo o que diocese lhe fez, ao recusar acolher-integrar o seu ser-viver presbiteral histórico, único e irrepetível, ainda acabou por roubá-lo à humanidade, ao fazer dele um clérigo mais, com missa de corpo presente e tudo, na igreja da paróquia de Freamunde. Uma sibilina maneira de matar definitivamente o Presbítero Leonel. Choremos.

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