Selecção e tradução de Júlio Marques MotaRevisão de Flávio Nunes
(conclusão)
Acontece-nos então sentirmos a necessidade de repensar e de nos lembrarmos dos nossos poetas e escritores, sempre melhor colocados para nos fazerem refletir do que os nossos políticos. Um cartaz recente em Atenas, convida a redescobrir o questionamento de Níkos Kazantzákis (1883 – 1957), escritor principalmente conhecido pelo seu romance Alexis Zorbas, adaptado ao cinema sob o título Zorba o Grego. “ Terei vencido? Fui eu vencido? Tudo o que apenas sei, é que trago comigo tantas feridas e que mesmo assim me mantenho sempre de pé”, é o que se pode ler neste cartaz e que resume tão bem o ar dos tempos na Grécia de agora.



Extenuado o blog Greek Crisis tem-se então mantido de pé (!), e assim de boa vontade aceitei o convite dos amigos do Sul do Peloponeso para passar estes dias de Páscoa. Primeiras impressões, a autoestrada do Peloponeso já não conhece as horas de glória de outrora, e além disso nevava em Arcádia.
Estas doçuras climáticas e topográficas gregas perto de Pylos (Navarin), serão contudo sempre apreciadas, aconteça o que acontecer. Nos cafés, os visitantes procedentes dos 25% dos Gregos sempre vencedores, preparam alto e bom os seus planos… turísticos param o verão próximo: Éfeso, Smyrne, Constantinopla.
Certos visitantes Alemães (e Austríacos) estão já da festa e de Páscoa, outros, habitam aqui mesmo e já desde há um tempo de modo quase-permanente. Entre estes Alemães, enamorados da Grécia, um autor e fotógrafo ofereceu ao bar do canto, um exemplar do seu álbum publicado na Alemanha. Ele casou-se mesmo na Grécia onde distingue o que há de típico e autêntico. É então bem assim que uma certa faceta dos homens, dos imaginários, das imagens e das cartas, se situam por vezes fora de contexto (da crise) muito felizmente.




O Sul grego, como por vezes o resto da Grécia, das suas s costas e dos seus mares, oferece uma imagem (às vezes falsa) petrificada, sob o olhar ateniense naturalmente. O turismo aí está, e por alguma coisa, as relações dos patrocínios fariam (ainda?) o resto. Assim, num pequeno porto de pesca e também de atracão turística, um pequeno caïque é carimbado PASOK, no momento em que o Pasokismo morreu e que Papandréou não foi sequer eleito deputado em 2015.
Os donos dos restaurantes preparam-se para a estação, vive-se então de fantasmas e de fantasias, contudo face ao imutável e prometedor espetáculo dos mares do Sul. A Europa acabaria não muito longe daqui, em frente de nós temos a África, invisível, desconhecida mas real em algum lugar nos nossos pensamentos e noutras nossas fantasias, geográficas em todo caso.
Como os turistas, na sua maior parte ainda não chegaram, os animais adéspotas da região desenvencilham-se por sua vez como podem, corroídos pela fome e pelo inverno, decididamente demasiado húmido na opinião de toda a gente.





Há praticamente um pequeno século, René Puaux tinha visitado esta mesma região do Peloponeso e escrevia então isto: “o encanto invencível da Grécia está na incessante evocação da civilização mais rica em beleza, poesia e filosofia que alguma vez existiu ” (1932). Jogo de espelhos entre a Grécia e o Ocidente, herdado dos séculos XVIII e XIX, tal como as supostas Luzes além disso terão conduzido . Fantasmas e fantasias!
Dois séculos depois, entre tantas chuvas incessantes, entre dois raios de sol, e por fim, as borrascas de vento e da mundialização sustentada, o espelho já não existe . Era tempo. Então agora pelo menos, não nos dirão mais do que isto, que estamos a falar de contos, ou que é do domínio maravilhoso e, enfim, vai ser necessário enfrentar a geopolítica do mundo atual.

Os nossos países, de homens cheios de modéstia e de confusão obrigatórias contemplam então os mares agitados bem como as elites navegantes . Os donos dos restaurantes preparam-se para a estação turística, contudo vive-se e alimentamo-nos de fantasmas e d efantasias. Excepto Joachim, e para o que é dos homens, até à próxima auditoria.
« Há muita miséria na Grécia, a vida é difícil. Os barbeiros e os alfaiates são caros » (René Puaux, 1932)

Reproduzido do sítio greek crisis
Panagiotis Grigoriou, Carnet de notes d’un ethnologue en Grèce, une analyse sociale journalière de la crise grecque. Texto disponível no site greekcrisis, cujo endereço é : http://www.greekcrisis.fr/

