Hoje, dia em que escrevo este texto, 20 de Novembro, assinalou-se o 26º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança.
Hoje, vi um vídeo, que foi publicado pela CNN, em que se vê uma criança com uma faca a aprender a decapitar, tendo como modelo um urso de peluche.
Olho para os peluches das crianças que se passeiam na rua, nos seus carrinhos, e que levam agarradinhos a elas um peluche, quem sabe, talvez um urso.
A criança abraça-se a ele e fica a saborear aquele miminho que já sentiu vindo da sua mãe. Esta criança vai crescer com a atenção e a protecção dos pais, certamente irá ser um adulto que reconhece a necessidade das crianças terem mimo, terem colo, de verem um sorriso…
Estas crianças são europeias, portuguesas ou talvez não.
Nas escolas portuguesas falou-se da Convenção dos Direitos da Criança, da protecção que os Estados têm que fazer cumprir.
Como tem sido difícil….da Convenção ao Direito a ser protegida vai, infelizmente. um passo de um gigante.
Sabemos de crianças maltratadas, negligenciadas que não têm protecção.
Sabemos de crianças que folheiam o jornal dos hipermercados e fazem uma cruzinha no brinquedo que querem ter no Natal…
Sabemos de crianças desejadas e bem tratadas.
O que não sabemos é que há crianças que aprendem, não a mimar os seus ursinhos, mas a decapita -los…não a viverem em harmonia, mas a aprenderem a fazerem-se explodir, a transportar armas e material médico nos confrontos de guerra.
Porquê? nem tento arranjar uma explicação que entenda ou que queira entender.
Entendo aquilo que vejo e vejo algumas mães a ensinarem os seus filhos, não a viverem bem, mas a morrerem.
Vejo algumas mães, com o corpo todo tapado e vejo nos seus olhos a escravatura, vejo a subordinação aos homens.
Vejo mulheres todas tapadas a fugirem da guerra trazendo consigo os seus filhos…
Meninos e meninas correm seminus com medo das bombas…
Meninos e meninas correm à procura de silêncio…
Dia da Convenção dos Direitos da Criança, que Criança? Aquela que vai deitadinha no seu carrinho a afagar o seu ursinho, ou aquela que foge das bombas da guerra, da criança que é desejada e bem amada ou da Criança que aprende a matar e a matar-se?
Acredito que o Ser-se Criança é igual no mundo inteiro, mas o caminho que percorre, muitas vezes, é diferente, não por ser criança, mas por ser alguém passível de ser mandado à força, mas por ser alguém de quem se pode abusar.
E já vamos no 26º aniversário da Convenção dos Direitos da Criança!