FRATERNIZAR – Presidente Hollande declara guerra – QUE É DOS BISPOS DE FRANÇA E DA UE? – por Mário de Oliveira

 

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Houve os ataques em Paris. Foram assassinadas 129 pessoas comuns. E que é dos bispos de França e da UE? Só porque não foi na Notre Dame, os bispos não vêm a terreiro? Não têm nada a dizer num colectivo de vozes, para lá do trivial e dos hipócritas narizes de cera, neste tipo de situações? Numa imediata reacção de chefe de Estado, o presidente Holande declara que, a partir destes atentados com tantas vítimas comuns assassinadas, a França está em guerra. E passa logo das palavras aos actos. Os bombardeiros franceses, às ordens do Presidente da República, despejam bombas, noites seguidas, com o declarado objectivo de destruir o EI e o terrorismo. E que é dos bispos de França, da UE e do mundo? Será que também para os bispos, terrorismo e pessoas que são científica e criminosamente preparadas para se assumirem orgulhosamente como bombistas suicidas, é tudo a mesma coisa? Nem eles são capazes de distinguir entre terrorismo – o mal objectivo e organizado – e pessoas, científica e criminosamente, preparadas para praticá-lo? Os bispos de França e da UE acham normal que o Presidente Hollande ataque o terrorismo islâmico com mais terrorismo, no caso, o terrorismo do Estado francês? Que diferença há entre o terrorismo do EI e o terrorismo do Estado francês? Não são ambos terrorismo? E dizemo-nos civilizados, os ocidentais? Que é dos bispos de França e da UE?

Em Roma, o respectivo bispo, simultaneamente papa, tem uma postura bastante semelhante à dos bispos de França. O que diz e nada é igual a estar calado. Mostra a sua tristeza, recomenda que as pessoas rezem. E depois? Alguma vez as rezas dos católicos, dos protestantes, dos muçulmanos neutralizam os bomberdeiros que todas as noites despejam bombas na Síria, a pretexto de que vão destruir o EI, supostamente lá radicado? Apesar das rezas, os bombardeiros não continuam a levantar voo, a despejar bombas, a destruir e a matar pessoas, terroristas ou simples populações, também elas vítimas do terrorismo e que tomaram que as deixem em paz, num viver de afectos e de dignidade? Que têm as populações residentes da Síria a ver com o EI? São todas feitas com ele e com os seus líderes assassinos?

De onde vem o terrorismo? Nasce por geração espontânea? Não tem causas concretas, passados históricos de horror e de terror como os que acabam de atingir pessoas de Paris, a segunda vez, este ano? Basta frequentar as igrejas e rezar? A que Deus é que rezam as pessoas católicas, protestantes, muçulmanas? Existe semelhante Deus? Não é mera projecção-criação das ambições de domínio de uns quantos chico-espertos que se fazem eleger chefes de Estado, de Governo, de Parlamento? Não são ladrões e assassinos de Estado? E porque são de Estado, não são terroristas? Só os do EI são terroristas? E os que detêm e utilizam os bombardeiros, as armas de destruição maciça, as bombas nucleares, bastantes para destruir várias vezes o planeta Terra, não são terroristas também, os piores de todos? Podem as populações desarmadas, mas com fome e sede de verdade e de justiça, dialogar em pé de igualdade com chico-espertos transformados em chefes de Estado, de governo, com bombardeiros, armas de destruição maciça, bombas nucleares? Não estão todas condenadas a nascer subjugadas, a viver subjugadas, a morrer subjugadas?

Rezar em tempos de guerra declarada e praticada, de que vale? O Deus dos cristãos, dos judeus, dos muçulmanos, dos religiosos em geral, não é o deus da guerra? Não proíbe matar entre vizinhos e entre familiares, mas trata como heróis e santos os que matam a granel nas guerras santas, nas cruzadas, nas conquistas para dilatar a fé e o império? Que Deus é esse que abençoa tão hediondos crimes, semelhantes genocídios, ecocídios? Rezar-lhe? Só se for para que abençoe os chico-espertos de cada religião que sai a esmagar os chico-espertos das outras religiões. Será que nem o papa Francisco vê este horror-terror de Estado, a começar pelo do Vaticano? E que é dos bispos de França e da UE? Pode-se erradicar o terrorismo, sem se erradicar as causas que o provocam e alimentam? O que move os chico-espertos dos múltiplos estados do mundo, do Vaticano, à Russia, aos EUA, ao EI? Não é a demente e ilimitada ambição de dominar a terra, quando o imperativo ético dos seres humanos e povos que se reconhecem, é apenas o de cuidar da terra, uns dos outros, numa permanente comunhão de esforços que resulte em vida de qualidade e de abundância para todos indistintamente?

Que é dos bispos de França e da EU? Vivem só (pre)ocupados a preparar pomposos Programas de acção pastoral nas respectivas dioceses, que acabam em nada, só encenação, e tudo o que não é eclesiástico passa-lhes completamente ao lado? São humanos, os bispos de França, da UE, das dioceses do mundo? O estatuto de clérigo não é incompatível com a condição de ser humano? Será que os bispos das dioceses católicas e protestantes só vêem missas, cultos, rezas, devoções, peregrinações, ritos, rituais religiosos, santuários? Os seres humanos que nascem, crescem, vivem, morrem fora das suas dioceses e paróquias, que não são, nem querem ser baptizados por eles, não contam para eles? São assim tão míopes dos bispos de França, da UE e do resto do mundo? Desconhecem que são um gueto e que vivem-agem num beco sem saída?

Mas, afinal, não é na humanidade, especialmente, na esmagadora maioria empobrecida, oprimida, excluída, deprimida que Deus que nunca ninguém viu se nos dá a conhecer? O Deus dos santuários, das paróquias, das dioceses não é um ídolo cego, surdo, mudo, inactivo, que produz populações cegas, surdas, mudas, inactivas? Não é, então, um deus para deitar fora como o sal que perdeu a força de salgar e ser pisado pelos homens? E, depois, ainda se admiram que o número de ateus cresça em proporção geométrica? Ai meus irmãos bispos de França, da UE e do resto do mundo. O que o cristianismo que professais contra Jesus, o filho de Maria, e o seu Projecto político alternativo ao do poder, vos fez. Será que ainda sois capazes de deixar toda essa encenação e regressar à vossa matriz original, simplesmente, humanos, nada mais?!

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