“DA IMORTALIDADE” NO TEATRO CORNUCÓPIA, DE 25 DE NOVEMBRO A 13 DE DEZEMBRO

De Quarta-feira 25 Novembro 2015, até Domingo 13 Dezembro 2015. De 4ª a sábado às 21h, domingos às 16h

A partir do Épico de Gilgameš

Teatro do Bairro Alto, Lisboa

Da-Imortalidade_cartaz

Inédito em língua portuguesa de Francisco Luís Parreira

Encenação de Nuno Nunes

“Da Imortalidade” é uma proposta de interpretação teatral do poema épico Gilgameš [Guilgamesh], o texto mais antigo da humanidade. É um poema maravilhoso, fragmentado, uma parábola da consciência humana. Mais do que apresentar uma narrativa fundadora, o espetáculo equaciona o modo como contamos histórias, como “dançamos” com a verdade, como nos apropriamos da memória. Detém-se na tensão entre narração e jogo teatral e recusa impor o paradigma ilustrativo ao espetador. Que espaço se abre então entre as palavras e a sugestão cénica? O que está contido no acto de ler? Este pode ser um hino à poesia primordial, mas é também um gesto de inconformismo estético e ideológico.

A tradução portuguesa é inédita e cruza versões de vários tradutores das placas mesopotâmicas que ao longo de 150 anos têm sido descodificadas. O espetáculo foi criado após um período de oito laboratórios realizados ao longo de dez meses em quatro países, Portugal, Palestina, França e Itália, com artistas de várias nacionalidades e disciplinas artísticas.

O poema foi descoberto em meados do sec XIX na região norte do Iraque, em placas de argila (de entre 2700 a 750 a.C.), e é ainda amplamente desconhecido em Portugal. Conta a história do mítico rei Gilgameš que a arqueologia comprova ter reinado por volta de 2750 a.C em Uruk, a sul do actual Iraque.

O déspota Gilgameš, é confrontado com um opositor igual em capacidade, Enkidu – um homem selvagem criado a partir do barro e civilizado pelas artes amorosas de uma mulher. Do encontro dos rivais resultará uma amizade inabalável, uma complementaridade que inaugura um novo olhar sobre o mundo e sobre si próprios. Há como que um ímpeto de projecção do eu para fora de si, para a acção, para a realização de grandes feitos. Combaterão o monstro da floresta, Huwawa, e o Touro Celeste e enfrentarão a ira de Ištar. A posterior morte de Enkidu dará ao rei a percepção da sua própria finitude e a empreender uma viagem em busca da imortalidade. Conhecerá então Uta-napišti (o Noé do texto bíblico) que sobreviveu ao dilúvio e que lhe contará o seu segredo. Gilgameš reconhecerá os limites da sua humanidade regressando para reinar em Uruk das belas muralhas.

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