
O povo do Porto andava descontente com o preço do vinho e atribuía as responsabilidades à recém criada Companhia das Vinhas do Alto Douro.
Era dia de quarta feira de cinzas e o povo ia-se reunindo para participar na procissão. De repente, ouviram-se gritos: Viva o povo! Morra a Companhia! E, de seguida, alguém acrescentou: Vamos buscar o juiz do povo! Ele tem de falar por todos nós!
Tardava o juiz a decidir-se quando alguém gritou: Se não vem a pé, que venha sentado! Tragam uma cadeirinha! A multidão seguiu para casa do corregedor. Receoso que o matassem assinou tudo quanto lhe puseram à frente, incluindo editais e cartazes a anunciar a suspensão da Companhia das Vinhas do Alto Douro. Dali foram ao encontro do provedor. Este recebeu-os com dois tiros, mas a multidão não recuou.
Mas, de repente, alguém deu o grito de alerta: Fujam, que vem aí a tropa!
Era verdade. A tropa veio e prendeu a eito homens, mulheres e crianças!
Três semanas depois chegou o juiz encarregado de julgar os culpados.
As penas foram muito duras: 21 homens e cinco mulheres foram condenados à morte na forca; 87 foram condenados a açoites na praça pública e ao degredo, uns, nas galés, outros, em África e 40 viram os seus bens confiscados e foram degredados para outras partes do reino.
As forcas mantiveram-se em pé durante três anos.
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Acedendo ao link abaixo, poderão ver a peça O Motim, de Miguel Franco, numa representação da Seiva Trupe, no Teatro do Campo Alegre. Julgamos que esta ocorreu em 1987. Norberto Barroca foi responsável pela adaptação e encenação. A realização do filme da RTP de 1987.
http://www.rtp.pt/rtpmemoria/?article=1010&visual=2&tm=8&layout=5

