EDITORIAL . A efeméride -40 anos de «normalidade»

logo editorialFaz hoje 40 anos, hitórica forjou-se a histórica  efeméride que hoje registamos – a festa da liberdade iniciada 18 meses antes, em Abril de 1974, acabara – temia-se um novo Chile  –  O tenente-coronel Ramalho Eanes, que fora do meio militar ninguém conhecia, aparecia nos noticiários como o senhor desta guerra – óculos escuros, patilhas compridas, frases curtas e com uma pronúncia estranha, não auguravam nada de bom.

A comparação com Pinochet era inevitável. Quem seria o «gajo» de óculos escuros? Soube-se depois que também estava ligado ao chamado «Grupo dos Nove» e que fora encarregado de encabeçar o movimento militar de 25 de Novembro. Havia portugueses que respiravam de alívio – aquilo a que nós chamávamos «festa», chamavam eles «caos», «anarqueirada»…Passadas quatro décadas, já é possível discorrer sem rancores, nem falsos clichés  sobre esse acontecimento. Abruptamente, o caminho luminoso para o poder popular foi substituído por uma vereda sombria que conduziu ao barranco de cegos onde nos movemos como sombras, sem o peso e a espessura que a alvorada de Abril nos devolvera -a perdida condição de cidadãos.

O Chile não se reproduziu aqui e o sentido de justiça obriga mesmo a saudar a transformação produzida em Eanes – o bisonho tenente-coronel é hoje um homem culto e ponderado. O povo que enchera as ruas de gritos e as paredes de grafitti, acordou do sonho de uma terra sem amos e entrou no torpor de outro sonho -o de um socialismo de rosto humano que em linguagem chã significa capitalismo à solta. Quando dizemos «o povo», estamos a proceder a uma abusiva generalização. A verdade é que o povo não tem uma forma de pensar, um nível cultural, um poder de compra que o torne numa entidade classificável sociologicamente – a acepção etimológica abrange banqueiros, comerciantes, sem abrigo… É este povo que o Governo hoje indigitado vai governar.

Oxalá se lembre do que prometeram os partidos que o compõem.

 

 

 

 

 

One comment

  1. Carlos A P M Leça da Veiga

    Tudo em que nos transformaram – sempre de mal a pior – é obra do 25 de Novembro. Quem, entre nós, disputa o poder político contenta-se em querer administrar as consequências desastrosas daquele data fatídica,CLV

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