A CANETA MÁGICA – HOMENAGEM A JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS,3- por Carlos Loures

José Rodrigues Miguéis

Este texto agendado para as 9:30, só agora é publicado, pelo que pedimos desculpa

OS ESTADOS UNIDOS 

Em 1932, José estreia-se como escritor com a novela Páscoa Feliz, onde é visível a influência de Dostoievski – influência que Raul Brandão assumira já com brilhantismo. Entretanto a sua vida sentimental entra em crise aguda – sua mulher, Pola, acha Lisboa uma cidade insuportável e abandona José, voltando para o seu país. Desgostoso pelo colapso do casamento com Pola e perseguido politicamente, pois a censura não lhe dá tréguas, começa a sentir-se sufocado no seu País. O cerco torna-se asfixiante. Há uma gota que faz transbordar a taça: em 1932, com o matemático Bento de Jesus Caraça, funda o semanário “O Globo”, mas o jornal será proibido pela censura em 1933. A situação de opressão em que os portugueses vivem, é-lhe intolerável. e ainda, esmagado psicologicamente pelo fracasso do casamento com Pola, expatria-se, resolve emigrar para os Estados Unidos. No seu livro Gente da Terceira Classe narra como, primeiro a bordo do paquete Arlanza viaja até Southampton e depois atravessa o Atlântico no Normandie. Nos Estados Unidos viria a trabalhar como tradutor e redactor das Selecções do Reader’s Digest. Durante a sua permanência nos EUA, mantém uma grande actividade cultual, colaborando em jornais portugueses e também na imprensa de língua castelhana. A Guerra Civil começa no Verão de 36 e José Rodrigues Miguéis apoia sem reservas a causa da República espanhola. Em universidades e noutras instituições culturais, faz conferências em que defende a posição do governo legítimo republicano , eleito democraticamente, e verbera o bando franquista que mergulha Espanha no caos de uma cruenta guerra civil. Em 1940 casa em segundas núpcias com a luso-americana Camila Pitta Campanella e em 1942 adquire a cidadania norte-americana. No ano de 1946: publica no Brasil Onde a Noite se Acaba, uma colecção de contos. Entre os anos de 1949 e 1950, vive no Brasil. Vão sendo publicadas algumas obras suas: os contos Saudades para D. Genciana, O Natal do Clandestino. Em 1958 publica os contos e novelas de Léah e Outras Histórias. No ano seguinte é a vez do romance Uma Aventura Inquietante e da narrativa Um Homem Sorri à Morte com Meia Cara. Uma narrativa autobiográfica, pois baseia-se numa paralisia facial que o obriga a estar mais de um mês internado no Hospital de Bellevue.

(Continua amanhã)

 

 

 

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