Só se lembra dos caminhos velhos
Quem tem saudades da terra…
Dias familiares, festas e convívio, velhos amigos que nos aparecem após os anos à volta de qualquer cantinho, surpreendendo-nos no meio de perplexidades e saudades.
– Quanta gente nova está a emigrar e quanta mais não volta mais que por férias… – diz um dos irmãos a outro.
– Avó, desde quando emigram os galegos? pergunta a neta.
– Desde muito antes… responde lacónico o velho.
Emigrantes pela Espanha e Portugal, pela Europa e pelas Américas. A mesma massa humana que antes vendia a sua força de trabalho e mãos e hoje aluga a sua força de trabalho e formação.
O impacto de uma emigração que nos últimos 25 anos equivale à população de Vigo, Vigo, Ourense e Ferrol totalmente vazias. que supõe que saíram da Galiza 483.680 pessoas segundo o Instituto Galego de Estatística (IGE).
Mas essa cifra de 483.680 pode ser ainda superior. Nas estatísticas de emigração de 1990 a 2014 do IGE não há dados no que se refere à emigração fora do Estado espanhol nos anos compreendidos entre 1990 e 2001.
Entre 2010 e 2014 foram mais de 91.000 pessoas. O equivalente, seguindo com o exemplo das cidades, a case todos os habitantes de Compostela.
Capas de emigrantes, sobre capas, camadas, substratos e superestratos nos que poderia fazer-se estudos arqueológicos, etnográficos, económicos, culturais, sociológicos e políticos. Recuperar a experiência, as vidas, os capitais e à gente: emigrantes, descendentes, sociedades, cultura, política.
É possível desde resgatar cantigas e tradições, costumes, lembranças, até medir o pulso político e cultural, fixar as evoluções da economia mundial.
O pessoal que hoje emigra continua a ser novo, qualificado e significativamente conscientizado política, social e culturalmente. Gente senão rebelde, sim inquieta e ativa. Sendo os espaços de destino os grandes beneficários da sua formação, trabalho, impostos, e ativismo. Família, trabalho, vivenda, propriedades, avenças cotizações, atividades derivadas da socialização, do compromisso, da cultura, da política que não apenas perde Galiza, quanto que se desenvolvem noutros espaços.
Porém continua sem haver nem por parte da Administração, nem por parte dos Partidos Políticos qualquer interesse em recuperar dalgum jeito todo esse capital humano, para além de em votos concretos ou economicamente em capitais retornados.
Tinha claro o grande Lois Porteiro Garea, em 1918, naquele breve folhetinho e apelo “A los Gallegos emigrados”, é absurdo esquecer uma outra das grandes forças e capitais da Galiza.
[ A los gallegos emigrados, Propaganda das Irmandades da Fala, La Papelera Gallega, La Coruña, 1918]
