CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – QUEREMOS MUDAR DE RAIZ A SOCIEDADE E FAZER HISTÓRIA? – por Mário de Oliveira

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As populações são levadas a pensar que a democracia é uma criação dos povos. Mostram-se desconcertadas comigo, sempre que, na minha qualidade de cidadão presbítero-jornalista, escrevo-digo sem rodeios que não é. Tudo o que é institucional é criação das elites dos privilégios. As mesmas do Poder. O outro nome com que sempre tem sido dito Deus. Deus é o Poder. O Poder é Deus. Dessas elites, fazem parte, desde o início da humanidade, os sacerdotes. Aos quais se juntaram depois os reis e os ricos. Daí, o poder sacerdotal-religioso, o poder político, o poder económico-financeiro. Os três são um só, Deus. Omnipotente. Omnisciente. Omnipresente. Ao longo das sucessivas gerações, mudam as formas históricas de organizar a sociedade. Não a substância. Que as elites do Poder são hábeis na manutenção dos seus privilégios. Quando determinada forma de organizar a sociedade está a revelar-se obsoleta, logo elas se antecipam e fazem as revoluções que mais lhes convêm. Só as elites dos privilégios têm o poder de financiar revoluções armadas, guerras civis e mundiais, sempre que necessário. O vencedor é sempre o mesmo – as (novas) elites dos privilégios. Nunca os povos da Terra. A estes cabe apenas o dever, disfarçado de direito, de aplaudir os novos agentes do Poder. Jurar-lhes fidelidade, obediência, cooperação. Dar-lhes as filhas, os filhos. Pagar-lhes os impostos. A actual democracia representativa é a mais cínica invenção aonde o Poder chegou até hoje. Com ela, cabe-nos simplesmente o direito (ou o dever?) de escolher, entre os diversos candidatos propostos pelo Poder, aquele ou aqueles que queremos para nossos carrascos. A paz que daí resulta é a do Poder, cujos súbditos sempre o identificam com Deus. Queremos mudar de raiz a sociedade e fazer História? Recusemos entrar em todas as jogadas pseudopolíticas das elites dos privilégios e ousemos ser-viver vasos comunicantes uns com os outros. Como se Deus não existisse.

 

15 Janeiro 2016

 

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