ESTUDAR A ECOLOGIA DOS URSOS POLARES PARA PREVER AS CONSEQUÊNCIAS DAS ALTERAÇÕES CLIMATÉRICAS por clara castilho

A imagem de um urso polar do fotógrafo Kerstin Langenberger choca-nos. Ele diz que para os turistas e fotógrafos de vida selvagem, a principal razão para ir a Svalbard (Noruega) é ver os ursos polares. Normalmente eles belos ursos, fotogénicos. Agora, depois de testemunhar o gelo a derreter, vê cada vez mais animais a desaparecer, ao mesmo ritmo.

urso polar

Os ursos polares são animais imponentes. Os machos podem chegar a ter 600 quilos e em pé atingem os três metros, Já as fêmeas pesam cerca de metade. Têm duas camadas de pelo para se defenderem do frio (45 graus negativos).

Por outro lado, alguns  cientistas defendem que a população de ursos em Svalbard está estável. Mas como poderá uma população estar estável se tem cada vez menos fêmeas e crias?

Se fotografias não chegam para tirar conclusões sobre a situação climatérica no Ártico, a verdade é que o degelo é uma realidade no pólo norte. A NASA indica que, entre 1979 e 2013, a extensão da cobertura de gelo diminuiu 19,9% em cada década, enquanto os bancos de gelo também diminuíram 13,7% por década no mesmo intervalo de tempo. E prevê-se que  2015 tenha sido o ano mais quente de sempre. O mês de Julho foi o mais preocupante, tendo sido o mais quente dos últimos 136 anos.

O aumento da temperatura está a influenciar toda a cadeia alimentar marinha e espécies inteiras de animais marinhos e peixe encontram-se directamente em risco.Com os ursos, o que se passa é que se o acesso à comida diminui (as morsas também sofrem com o degelo e começam a escassear), a condição física piora, a sobrevivência das crias fica posta em causa, os animais são obrigados a nadar mais tempo e acabam por afogar-se por fadiga e aumentam até as situações de canibalismo (mais comuns em situações críticas). Ao comerem focas que comeram peixes, que provavelmente já comeram outros peixes que viveram em águas poluídas organicamente, ficam vulneráveis a doenças. Estas substâncias ficam na gordura e passam para as crias pelo leite.

A reportagem do Público de 15.9.2015, relata a experiência de um português que anda a contar ursos polares no Árctico. Diz queO urso polar está na categoria “vulnerável” na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza, que avalia o grau de risco de extinção das espécies. Não é a pior das categorias, mas uma espécie “vulnerável” está em risco elevado de se extinguir na natureza. No caso deste mamífero, as alterações climáticas, a poluição e a caça são factores de pressão para um animal especialmente importante para os noruegueses.”

Seja como for, estudar a ecologia desta espécie é importante para se  poderem fazer-se previsões mais acertadas das consequências das alterações climáticas.

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