A COLUNA DE OCTOPUS – AS INTOLERÁVEIS AGRESSÕES SEXUAIS SOBRE AS MULHERES

octopus1

Say no to rape

Segundo a ONU, 7 em cada 10 mulheres no mundo já foram ou serão violentadas em algum momento da vida. Isso implica desde assédio verbal ou até a morte, passado pela violação.

A desigualdade de forças entre os homens e as mulheres tenta explicar parte deste problema, mas não é tolerável em qualquer sociedade e deve ser denunciada.  Nesse capítulo cabe aos homens (ou verdadeiros) uma parte importante na mudança de mentalidades.

Contribuem igualmente, para as agressões sexuais sobre as mulheres as desigualdades sociais produzidas pelas próprias sociedades e também, apesar de ser um assunto tabu, as crenças e práticas religiosas que sempre relegaram as mulheres para um plano secundário em relação aos homens.

Todo o indivíduo de sexo masculino tem de fazer três orações por dia para agradecer Deus de ter feito dele um israelita, de não o ter feito nascer mulher ou de não ter feito dele um rústico” (Talmude, Men.43b)

Mulheres sejam submissas aos vossos maridos assim como ao Senhor, porque o marido é o chefe da mulher. assim como a igreja é submissa em relação ao Cristo, as mulheres devem-no ser em relação ao marido” (Bíblia, Efésios 5:21-25)

Os homens têm autoridade sobre as mulheres, em virtude da preferência que Deus lhes atribuiu sobre elas, a por causa das despesas que eles necessitam para as manter” (Al Corão, Sourate 4:34)

Say no to rape - II

 

Na grande maioria das vezes o crime começa no próprio núcleo familiar, dado que 35% das mulheres assassinadas em todo o mundo são assassinadas pelo próprio parceiro.

Mulheres são assassinadas em nome do abjecto “crime de honra”, isto é matar a mulher que é acusada (ou suspeita) de transgressão sexual ou até as mulheres que foram violadas e que representam uma desonra para a família (como se a mulher tivesse qualquer culpa de ter sido violada).

Temos também a estupidez do dote, como na Índia, onde os pais da noiva oferecem ao futuro marido bens avultados e que em caso de não serem satisfatórios muitas mulheres são assassinadas pelos sogros ou queimadas.

Depois existem os casamentos forçados, muito frequentes em África ou nos países muçulmanos, em que as futuras esposas têm muitas vezes apenas 12 ou 13 anos de idade. Essas meninas são muitas vezes transacionadas por bens materiais.

Outra violência exercida sobre as mulheres é a mutilação genital, sobretudo em África, em nome de uma tradição absurda. Existem vários tipos de mutilação desde a da remoção do clitóris ou os grandes lábios, passado pela vagina da vítima costurada. O objectivo é sempre o mesmo: limitar o prazer sexual da mulher para que esta seja a pertença do homem.

A violação das mulheres deve, não só ser condenada, como deve ser denunciada como sendo algo de aberrante e anormal. As recentes agressões e violações colectivas na estação de Colónia, na Alemanha, na passagem de ano, não pode ser encarada como um simples “incidente”, deve-nos fazer refletir.

Say no to rape - III

1 Comment

  1. Obrigada, João Machado, por abordar essa questão tão dolorosa. Em pleno século XXI, as mulheres continuam sofrendo todo tipo de desrespeito, abusos e agressões.. Enquanto a publicidade as usa como ambíguos objetos de desejo para estimular as compras de qualquer produto, as famílias em inúmeras culturas continuam a tratá-las como incapazes ou inferiores. E o espaço político que ocupam é mínimo.Precisamos cada vez mais e sempre de campanhas educativas e, como você diz, de muita reflexão sobre o injusto androcentrismo da nossa triste humanidade.
    abraço solidário

Leave a Reply