Depois de dias de tempestades e inseguranças, nada melhor que votar no dia 24 na serenidade primaveril.
Os vulcões encheram-se de água, mas nada inundaram, as portas forraram-se de sacos de cimento e a água ficou à entrada das casas, as árvores abanavam ao sabor e à direcção do vento, mas não saíram do lugar.
As pessoas serenas e tranquilas, mais sabedoras do que os alarmistas locutores, não pelo que diziam, mas pela forma e tom de voz com que anunciavam o “passeio” do Senhor, todo-poderoso, Alex que loucamente se dirigia para os Açores, querendo como repasto o grupo ocidental e o grupo central, onde, qual lua cheia a Ilha Branca, ou seja a Graciosa, a “minha ilha” de encantamento, de recordações de infância e princípios de juventude se preparava para mais uma fustigação climatérica.
Ainda está lá tudo, menos as pessoas que lhes foram dando vida, as casas que já caíram, os muros que se esboroaram…o hospital que se transformou em Centro de Saúde, por onde passaram médicos indianos, brasileiros, cabo verdianos e doentes açorianos, longe dos cuidados urgentes, separados pelo mar ora ameaçador, ora tranquilo, quase uma estrada…sem buracos nem lombas.
A ilha continua a ser Graciosa de nome e de natureza.
Ser Graciosa não é como ser bela, é ser maviosa, serena…
O Alex, tão desejoso de um pedacinho de terra para se zangar, encontrou um mar imenso onde descarregou a sua ira contra os Humanos.
A Natureza está zangada.
Os Humanos estão zangados…andam à volta de uma crise de…de tudo.
De tudo menos de esperança numa vida melhor, de esperança num amor para a vida, de um grupo (família, seja ela como for) onde se desenvolvam afectos e solidariedade quando surgem as crises criadas por outros, mas pagas por nós.
Há gente com esperança que os laicos, os ateus sejam mais poderosos que os religiosos, sejam eles quais forem. Veja-se a capa do último Charlie Hebdo.
Açores, Terras de Bruma “onde as gaivotas vão beijar a terra”. São “Gente feliz com lágrimas”, com a palavra Saudade no coração coberto de roxo, e com a Chama Rita na ponta do pé vagaroso ao som da música.
A serenidade primaveril é própria das tempestades.
A seguir à arrogância e desmando de poder, os nossos votos serão a favor de um moderador/a sensível, culto/a, sabedor/a do sentir das gentes e dos contratos sociais.
Há que escolher quem sabe o verdadeiro significado, o significado mais profundo do “obrigada”, o vínculo a nós próprios, que somos todos.