4. Violações de Colónia : a polícia presumida como culpada

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

O silêncio na Alemanha – que aconteceu em Colónia ?

4. Violações de Colónia : a polícia presumida como culpada

O anti-racismo tem necessidade de um bode expiatório

Hadrien Desuin

 

Neste início de ano, René Girard teria apreciado a bonita aposta na prática da sua teoria do bode expiatório . Mais de 500 queixas apresentadas na sequência da consoada do Novo Ano em Colónia, procura-se com efeito um culpado que seja o culpado certo.

Um espírito reaccionário e fechado apontaria imediatamente quem são os autores das violações e de outras agressões sexuais ocorridas na Alemanha. Mas seria demasiado simples. Durante vários dias, particularmente à esquerda, o medo de parecer racista impediu que se visse no fluxo recente de migrantes (perto de um milhão em 2015 só na Alemanha) a causa principal deste motim sexual sem precedentes na Europa.

Henriette Reker, burgomestre de Colónia, primeiramente considerou como “absolutamente inadmissível as ideias de ligar os refugiados aos culpados.” A evidência dos factos no entanto acabou por vir à luz do dia : as agressões sexuais não foram cometidas por machos brancos de mais de de 60 anos mas por jovens originários do Magreb ou árabes que, é verdade, não têm os meios para poderem fazer turismo sexual sobre as praias tailandesas. Pior, são geralmente os “requerentes de asilo”.”.

A questão torna-se embaraçosa. Porque como cada um sabe, o migrante muçulmano é o novo proletário a defender. Com uma atitude de maternalismo, a prefeita de Colónia por conseguinte satisfez-se inicialmente em argumentar contra as alemãs mais do que estar a estigmatizar os imigrantes. Numa multidão compacta como a que reúne a juventude na rua estas noites de festa popular, as mulheres que tiveram a audácia de saírem sozinhas não tinham que se manter afastadas de um braço em vez de provocarem estes pobres migrantes (parece que apesar das injunções Al-Jazira o adjectivo “refugiado” já não é uma boa aposta nestes últimos dias).

Depois de tudo, a frustração sexual é “sem dúvida um “miasma pós-colonial ” para retomar o último achado da senadora do PS, Bariza Khiari, a propósito da degradação de nacionalidade.

Para as feministas que permaneceram fiéis aos seus ideais, a salsicha de Frankfurte é mesmo assim ligeiramente difícil de engolir. Gozada nas redes sociais e na imprensa, Henriette Reker acabou por se desculpar a propósito dos seus conselhos de pudor enquanto que a antiga dirigente de Osez, a feminista Caroline De Haas, ousava colocar no twitter o intwiável: “Aqueles que me dizem que as agressões sexuais na Alemanha (sic) se devem à chegada dos migrantes: ide derramar a vossa merda racista para outros lugares “.

Na França, as feministas de guarda velam mas do outro lado do Reno, é bem difícil acusar por meias palavras as alemãs de provocações sexuais. Uma diversão impõe-se para se evitarem as amálgamas e, enfim, encontrar um culpado que seja conveniente. É por conseguinte a polícia de Colónia que se encontra apontada a dedo.

Para o ministro do Interior do Land Renânia do Norte-Westfália Ralf Jäger, a Polícia é a responsável “de erros pesados”. “A imagem que deu a polícia não é aceitável”. O que logicamente nos levaria assim a questionarmo-nos se os motins sexuais não teriam sido, pensando bem, um erro policial.

O chefe da polícia de Colónia, de resto, foi imediatamente destituído. A imprensa tinha o seu bode expiatório. No entanto a peça não assentava bem. Em Estocolmo, Helsínquia, Viena, assim como em Amsterdão, a polícia teria também estado em falta? Coincidência desconcertante. .

Se um dispositivo policial é sempre passível de ser melhorado, estas acusações contra as forças da ordem aparecem finalmente como uma grosseira tentativa da classe política de se desembaraçar facilmente sobre as costas dos seus agentes. Acusados de mal comunicarem ou de dissimularem, os chefes da polícia defendem-se de todo e qualquer laxismo em face de uma criminalidade de uma amplitude inédita e publicam finalmente um relatório terrível sobre os prejuízos da imigração selvagem. Cabe então ao Ministro do Interior renano cruzar a barreira que separa a polícia da extrema direita: “Estigmatizar um grupo (de população) como agressores sexuais é não somente um erro mas é também perigoso. É que fazem os abutres da extrema direita, é o seu único argumento. ”

Ufa, as esquerdas comunitaristas e o feminismo podem reconciliar-se! O bode expiatório ideal é afinal muito facilmente encontrado. Visar a incompetência dos polícias e as manifestações identitárias é bem cómodo. Tanto pior se assim se confunde causa com a consequência do drama. O debate sobre a imigração não europeia poderá esperar . E é bem aqui que está o essencial para a nomenklatura alemã.

 

Hadrien Desuin, Revista Causeur. Viols de Cologne: la police présumée coupable- L’antiracisme a besoin d’un bouc émissaire. Texto disponível em : http://www.causeur.fr/viols-cologne-migrants-police-feminisme-36233.html

 

 

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