Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
10. Compreender a finança – De que mercados financeiros temos nós necessidade?
Finance Watch, Dezembro de 2014
Se acreditarmos nos livros, os mercados financeiros deveriam permitir afectar o capital a projectos úteis economicamente (que deveriam idealmente ter um impacto social e ambiental positivo), para o benefício da sociedade. Deveria por conseguinte desempenhar um papel essencial na nossa economia. Encontra-se além disso que nós também estamos largamente implicados nos mercados financeiros como consumidores, porque podemos aí colocar uma parte da nossa poupança, as nossas reformas e os nossos seguros.
Com este processo multimédia iremos fornece-vos informações sobre a natureza dos mercados financeiros e a sua evolução durante as últimas décadas. A segunda parte analisa alguns dos mitos veiculados pelos lóbis financeiros a propósito dos mercados e confronta estes mitos com uma série de contra-argumentos.
PARTE 1: O b.a.- ba
O que são os mercados financeiros e para que servem?
Quais as funções que os mercados financeiros são supostos satisfazer?
Perspectiva histórica: como é que se passou dos investimentos às apostas?
A que ponto os mercados financeiros têm necessidade “de liquidez”?
PARTE 2: O debate e a posição de Finance Watch
Desmistificar as afirmações do lóbi financeiro
O que pensa Finança Watch? Promover os investimento, não as apostas.
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PARTE 1: O b.a.-ba
São o quê, os mercados financeiros?
Um mercado financeiro é um espaço onde activos financeiros (acções, obrigações, divisas, produtos derivados…) são comprados e vendidos por diferentes actores. De acordo com as regras deste mercado, os preços são fixados em função do nível de risco e das perspectivas de rentabilidade que representa os diferentes activos.
Há várias formas de participar neste mercado:
Como emissor (empresa, governo…): o emissor está à procura de um financiamento. Emite por conseguinte títulos, como partes de capital (acções) ou instrumentos de dívida (obrigações). O emissor procura investidores estáveis a longo prazo. Indo ao mercado, pode aceder aos fundos procurados, e compromete-se por outro lado a remunerar os seus investidores, pagando dividendos (sobre as acções) ou juros (sobre as obrigações).
Como investidor (indivíduo, caixa de reforma ou fundos de investimento, governo, empresa…): o investidor procura fazer frutificar o seu capital. Vai procurar o que considera uma justa remuneração para a sua exposição aos diversos riscos: o risco de que o emissor se venha a encontrar em dificuldade financeira e não possa por conseguinte pagar os juros previstos, o risco de que os títulos não possa ser revendidos no mercado secundário, etc. Os gestores de fundos de investimento e outros investidores institucionais (cognominados “zinzins”) agem em nome de milhões de pessoas comuns que poupam para a sua reforma, colocam as suas economias: estes milhões de pessoas são aforradores finais e reais.
Como intermediário (banco, criador de mercado, corretor, gestor de fundos…): há toda uma cadeia de intermediários que faz a relação entre investidores e emissores. Os intermediários servem para facilitar o funcionamento dos mercados, mas aumentam no mesmo tempo o custo de cada transacção para os investidores. Quanto mais intermediários existem, mais a parte dos rendimentos recebidos pelo investidor final é menor .
(continua)
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Ver o original em:
http://www.finance-watch.org/informer/comprendre-la-finance/1142-comprendre-finance-3?lang=fr


