EDITORIAL – JARDIM À BEIRA-MAR PLANTADO

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Terá sido Tomás Ribeiro (1831 – 1901), no poema A Portugal, que abre a sua obra D. Jaime, de 1862, quem pela primeira vez utilizou aquela expressão, referindo-se ao nosso país. D. Jaime é um poema em nove cantos de acentuado pendor patriótico, e nele o autor, na senda de Feliciano de Castilho e do romantismo, pretendia exprimir o amor à sua pátria. Teve na altura um grande sucesso, mas foi rejeitado pelos seguidores do realismo, que começava a sua ascensão. Hoje em dia não serão muitos a recordá-lo, mas a expressão “Jardim à beira-mar plantado”, para qualificar o nosso país, perdurou. É de referir entretanto que normalmente é utilizada com uma intenção diferente da de Tomás Ribeiro. Este usou-a para exprimir o carinho que sentia pela sua pátria. Mas hoje em dia procura-se com ela exprimir sobretudo um certo sentimento de desilusão, de desapontamento perante as dificuldades que persistem na vida dos portugueses, associando-as à pequenez do país, não só em tamanho geográfico como também em recursos e capacidade. Nalguns casos, ainda se procura usá-la com alguma tonalidade de carinho, mas sempre lamentando a pequenez perante o gigantismo dos competidores. Agradecendo a Ricardo Esteves e ao blogue Crónicas Portuguesas, propomos a leitura de algumas passagens de D. Jaime acedendo ao link abaixo.

A adesão à União Europeia trouxe um reforço do sentimento de limitação e de pequenez perante as grandes dificuldades que se encontram para competir com economias maiores e mais poderosas. As negociações mal conduzidas e o facto de muitos dos nossos governantes e responsáveis se preocuparem mais com interesses de grupo e de casta do que realmente com os interesses nacionais (nação=portugueses, todos eles, e não outra coisa) têm agravado muito a situação. Como tal, um governo que sinceramente queira inverter a descida abrupta em que nos encontramos terá de fazer um esforço redobrado para captar a confiança dos nossos compatriotas, incluindo dos que se encontram emigrados. Será preciso ser capaz de se explicar muito mais e melhor do que o que tem sido feito até à data, por todos os antecessores. Por muito que isso custe a entidades nacionais, europeias e mundiais.

http://cronicas-portuguesas.blogspot.pt/2008/04/d-jaime-de-toms-ribeiro.html

 

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