MORRER SIM, MAS DEVAGAR, por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Começa-se agora a falar, a discutir e a reflectir sobre Eutanásia.

Quando se fala de eutanásia ou de morte medicamente assistida, parte-se do princípio que o doente está na posse das suas faculdades intelectuais e que está na sua vontade expressa não prolongar o sofrimento que sabe o levará à morte.

Eutanásia é conceder o direito, a alguém que o deseje de ter uma “morte boa, sem sofrimento”, uma vez que não tem possibilidade de melhorar a sua saúde e que sabe que irá falecer, brevemente, mas com sofrimento.

Toda a Ciência, toda a Medicina se tem empenhado em criar condições dignas de tratamento para evitar o sofrimento, para prolongar a vida por processos paliativos que levam a Pessoa a uma morte “mais tranquila”, mas que levam à morte.

As sociedades têm diversas maneiras de assumir a eutanásia ou a morte medicamente assistida, mas em todas elas se fala de dignidade humana

As Pessoas também têm maneiras muito diferentes de assumir as suas doenças crónicas, as fazes terminais das doenças. Há quem lute até ao fim para viver fugazes momentos de felicidade, como ver alguém de quem gosta, há quem considere que não quer sofrer, quando já nada é possível fazer, não quer ter a consciência de que os outros também sofrem…

Quando o projecto de vida se esgota a Pessoa deve ter o direito de escolher o seu modo de morrer como escolheu o seu modo de viver.

Brittany Maynard, de 29 anos, morreu no dia que escolheu. ” Este é o dia que escolhi para morrer com dignidade”

Brittany Maynard foi uma lutadora pelo direito de morrer com dignidade e fez com que no Estado de Oregon fosse legalizado “o suicídio assistido”.

Brittany Maynard decidiu morrer quando ainda tinha a capacidade de sorrir…

A eutanásia é algo de muito complexo devido a sua multiplicidade de pontos de vista relacionados com as religiões, sociedades, culturas…no entanto, não é novo.

As sociedades  têm vindo a confrontar-se com esta prática ao longo dos séculos.

O paradigma de vida digna tem vindo a modificar-se assim as leis qua a regem.

 É inquestionável para qualquer sociedade democrática que a defesa da dignidade humana, que a proteção da vida, da liberdade e da igualdade são direitos inerentes a todo ser humano.

 Abdicar da qualidade de vida humana, da morte com dignidade, a favor da continuidade biológica da Pessoa, prolongando o sofrimento físico e emocional  do ser humano, é algo que deve ser reflectido sem fanatismos.

Quando se nasce já se sabe que se vai morrer, se prezamos tanto a vida porque não, também, a morte, ou antes o acto de morrer?

Morrer sim, mas devagar, assim o proferiu D. Sebastião desejando uma morte digna.

Mourir pour des idées, d´accord mais de mort lente, Georges Brassens

 A morte também pode ser digna.

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